O vento ressoa pela janela aberta,
São onze horas da noite,
Os sopros entram e invadem o apartamento,
As cortinas dançam com as luzes da cidade,
Que marcam o ritmo na parede.

No andar de baixo pessoas apaixonadas,
Ouvem aquela música repetidamente sempre ela,
Um gole atrás do outro e me sinto leve,
A janela está aberta, a chuva e a luz da cidade entram,
Somente o apartamento escuro a gente.

Olho para as paredes e vejo as coisas coloridas,
Outras em preto e branco marcando o tom da história,
Na minha mente diversas teses loucas gole após gole,
Trago a caneta para a boca e minha mente se esvai por instantes,
Luz, calor, o vento, som, a musica, a história, a música da história,
Chuva e a janela aberta está mais perto.

Olho para o tapete molhado com você lá toda colorida,
Me olha desnuda, reunindo todas as vibrações espalhadas,
Parede, objetos, fumaça, garrafa e verso,
Sinto até mesmo a cor do som e o som das cores.

Não quero mais conversar e falar sobre o que não interessa,
Quem sabe o que nem existe.
Quero me perder, me entregar a loucura e insensatez desta balada,
A última da maldita despedida.

São todas as cores, cheiros e sabores,
Os toques e o dito pelo não dito nesta meia noite.
Estou olhando pela janela o tom branco da lua,
Ela quer rasgar as nuvens mas me rasga de dentro pra fora.

De repente fecho os olhos e percebo que vou tocar com a ponta de meus dedos.
O vento fica forte e vai esfriando o meu corpo,
As gotas de chuva já não batem em mim, me acompanham.
A música está ficando mais baixa e distante,
Como as luzes da cidade são bonitas daqui de cima.

De repente o último acorde da música que embala,
A maldita balada da última despedida.
Em cor e furor, tendo apenas a lua como testemunha,
Do meu último e singelo ato de…
Adeus.

Acauã Pyatã
Na maior parte do tempo: publicitário e blogueiro, nas raras horas vagas um tremendo vadio de skate e desocupado no Insta. Insurgente, divergente e procrastinador. O tipinho de cara que escolheu morrer de pé ao ter que (sobre)viver de joelhos, alguém que escolheu ser a navalha ao invés da carne, um homem que absolutamente não é obrigado a nada, entendeu? N-A-D-A. Um maldito índio moderno em uma arcaica selva de pedra que um dia haverá de cair. Mas não agora, não mesmo. Fale com ele pelo e-mail: diego@derepente.blog.br