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Até aquele momento, eu não acreditava em amor, que eu pudesse me apegar. Suas linhas e os seus traços deixados pelo tempo me eram peculiares, atraíam meu olhar todas as noites quando eu chegava do trabalho e me jogava no sofá e sim, eu sentiria sua falta. Meus deuses! Eu sinto amor! Cheguei a essa conclusão quando estava com aquele vaso egípcio nas mãos, o olhei e fiquei pensando o quanto eu me arrependeria se ele fosse lançado, seria uma dor imensa não vê-lo mais na minha sala de estar. O pus de volta no seu devido lugar de direito me sentindo culpada por ter cogitado tamanha insensatez. Olhei de volta para Lucas, este baixava as mãos que se encontravam em posição de defesa quando viu que eu jogaria o vaso.

– O que foi? É um vaso caríssimo. Muita pretensão achar que eu iria o quebrar na sua cabeça. – Resmunguei, demonstrando desprezo por aquele ser na minha frente.

– Ah, claro! Não interessa o golpe que isso poderia causar na minha cabeça, imagina. Suas relíquias, sua vida. Você é muito supérflua, Janaína.

– Tão supérflua que peguei sua namoradinha que, por sinal, parece uma bonequinha de porcelana. – retruquei maldosa e ele me olhou com ódio por isso.

O que fez o Lucas ir bater na minha porta onze horas da noite de uma quarta-feira qualquer? Bem, deixe-me explicar:

13-lesbians1Esse fim de semana eu não quis sair da cidade, nem mesmo fui aos encontros do motoclube, estava precisando relaxar sozinha, pegar um cinema, comprar um bom livro, o que não me impediu de por um jeans e um colete de couro sobre a regata branca. Sem nenhum interesse em paquerar alguém e sem saco pra receber cantadas, fui para o canto escondido da livraria. Desastrada como sempre, meu corpo de um metro e setenta e cinco, com um salto de dez centímetros me deixava igual a um avatar, esbarrei em uma moça bem mais baixa que procurava livros da Ágatha Christie. Corpo definido, cabelos louros e encaracolados, pele bem alva e olhos negros, parecia um desses anjos que passam na TV, simplesmente linda.

– Nossa, moça! Desculpa. Pisei no seu pé? – perguntei, realmente preocupada.

– Não, estou bem. Não se preocupe. – levantou os olhos para os meus, tão negros como noite sem lua e bem delineados. – Aliás, você pode pegar aquele livro alí pra mim, o da capa azul? Ser nanica é um saco às vezes. – sorriu.

– Claro! Acho que tenho esse, é legalzinho. – puxei um outro livro.- Mas este é bem mais interessante.

– OK. Vou dar uma lida nele, então. Gostei do seu colete, você é motociclista? – perguntou ao mesmo tempo em que caminhava em direção a uma poltrona, não sei por qual mandinga, mas eu a seguia.

– Sim, você curte motos?

– Acho legal, mas não teria coragem de pilotar. Você me leva pra dar uma volta qualquer dia desses? – ela sorriu com um sorriso tão radiante e charmoso que minha única reação foi balançar a cabeça em resposta que sim.

Opa! Espera aí, Brasil. Essa menina está me dando mole, é isso? Na verdade, eu não sabia dizer com clareza se ela estava ou não me paquerando, mas ela se insinuava demais a cada pergunta que me fazia e eu fica tão sem reação que não me reconhecia, ninguém nunca havia me deixado desconcertada assim, não que eu nunca tenha me relacionado com mulheres, mas ela era um encanto, o contrário de tudo o que sou, de uma delicadeza apaixonante. Ouvi atenta para tudo o que ela me falava, e acabamos saindo do shopping para a Estação das Docas ver o pôr-do-sol.

Eu, definitivamente, não consigo me importar com sentimentos, não me vejo acordando todos os dias ao lado da mesma pessoa, seja ela homem ou mulher, e como diz um amigo: “meus amores começam no primeiro gole de pinga, duram a embriaguez e acabam durante a ressaca”. Por mais que eu estivesse encantada com a Camila, esse era seu nome, sei que amanhã ela seria só mais um corpinho bonito que me deu prazer, nada mais, talvez uma amizade se ela não insistir em me conquistar e me fazer o amor da sua vida ou querer me enquadrar na cultura de que sim, as pessoas vivem feliz para sempre até que a morte as separe. Mas esse não era o caso, entre um sorvete de queijo e outro de açaí, Camila me confessou estar namorando um rapaz e que de vez em quando rolava de ficar com uma garota aqui e alí.

-“Beijar meninos só pra não cair numa rotina, é diferente, mas podia ser…” – cantarolei. – Vamos?

– Sim.

Deixamos a Estação e fomos para o meu apartamento que não fica muito longe. Ela ficava tão minúscula na garupa da minha moto. Encontramos o Alessandro no estacionamento, nos cumprimentamos, os apresentei, mas agi naturalmente, não contei ainda para ele sobre minha bissexualidade. Coitado, ainda digere o meu rolo com Nero. E além do mais, não gostei dos galanteios entre os dois. “Menos, Camila. Fui criada sozinha e não gosto que crianças mexam nos meus brinquedos. Hunf!”, pensei enquanto nos afastávamos.

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– AP legal. Nossa! Quantos livros e bebidas! Você tem um barzinho só seu. – os olhos dela brilhavam ao percorrer minha imensa sala de estar.

– Leciono história da arte, colecionei muitos livros e peças de artes durante minha carreira profissional e o barzinho é um capricho de adolescência. Aceita beber alguma coisa? Eu tenho um vinho chileno que trouxe da minha ultima viagem e ainda não o abri. – peguei taças e nos servi.

Sentadas no balcão do bar, ela largou sua taça e me beijou, um beijo tão terno. A única diferença que vejo entre ficar com um homem e com uma mulher é a sutileza com que as coisas se desenrolam, a delicadeza, e com Camila foi assim tão delicado.

Do nada me senti tocando sua pele branca e com sardas nos ombros. Ninguém falou mais nada, nossos corpos falaram por nós, da atração que estávamos sentindo. A peguei pela mão e a levei para o quarto, ela sorriu.
Eu imaginei que depois de despidas, eu que tivesse que tomar as rédeas da transa, mas me surpreendi quando fui jogada na cama por aquela baixinha. O quarto à meia luz, eu mal a via, apenas sentia seus cabelos encaracolados deslizando sobre o meu abdômen e seus lábios suaves tocando o meu corpo. Levantou minhas pernas e caindo de boca em mim. De repente a mocinha se tornava um mulherão, sua língua subia e descia em movimentos úmidos pela minha vagina, sentia como se ela fosse me devorar, suas unhas compridas me roçavam a pele, os dedos firmes, brincavam com meus mamilos, minha garganta conteve minha voz, deixando escapar apenas alguns gemidos enquanto ela me deixava inundada de prazer, se levantou, mas colocou seus dedos em meu clitóris, me estimulava enquanto me beijava, meus quadris se movimentavam seguindo o ritmo de sua mão. Duas bocetas lisas se roçavam, coxas se contraiam entre si e nós nos acariciávamos e nos beijávamos, agarrei seus cabelos dourados e a beijava com desejo, ela era perfeita. Beijei cada centímetro daquele corpo, não me importava se erámos duas mulheres, o que me importava é que eu sentia latejar entre minhas pernas e me inchava de tesão, era puro e simples prazer o que eu queria e estava tendo. Apertei sua coxas macias, deixei nela arranhões enquanto a lambia, atracada em meus longos cabelos, ela rebolava e ditava o ritmo, não demorou muito e eu bebia o seu gozo ainda quente, ela amoleceu sobre a cama.

lesbian-pussy-on-her-pussyFui até o bar buscar mais vinho, o celular da Camila em cima da mesa tocou, pude ver pela foto de chamada que o seu namorado era Lucas, o contato estava salvo com aqueles apelidinhos melosos que casais têm. “Interessante”, imaginei. Voltei para o quarto toda sorrisos, se há um esporte que eu tenha como favorito é ser pivô de desentendimento entre certos casais. Ela dormia, acordou durante a madrugada, transamos mais uma vez e na manhã seguinte foi embora. Nos encontramos mais algumas vezes, não mencionei que conhecia Lucas, mas de alguma forma ele ficou sabendo e veio bater na minha porta ontem à noite cheio de razões:

– Que palhaçada é essa, Janaína? Como é que você pode? Onde você conheceu a Camila, você anda me seguindo, é isso? Você é louca!

– Deixa de ser ridículo! Eu, te seguindo? O que você faz ou deixa de fazer não me interessa, muito menos com quem você fode.

– Olha a Cami é minha namorada, ela é uma garota confusa, não sabe bem o que faz e…

-Calma lá! Primeiro, a Camila é uma garota completamente equilibrada e sabe muito bem o quer e não veio ao mundo a passeio, segundo, eu não sabia de vocês dois antes dela enfiar a cabeça entre minhas pernas.

– Porra, Janaína, você não vale nada! O que respira você não perdoa. – Ele disse em um tom que me acendeu um ódio, peguei o primeiro vaso que vi pela frente na intenção de atingi-lo, mas recuei e pus de volta no lugar, além de não valer a pena quebrar por ele um vaso caro, de certa forma ele não estava mentindo, não perdou nada mesmo.

– O que é, Lucas? Vai dar uma de machinho agora? Fui lá, peguei teu brinquedo, deitei e rolei e você veio aqui espernear na minha sala?

– Eu…Eu…

– Eu nada! Te enxerga moleque. Eu sou uma mulher independente, gostosa, atraente… – Fui falando e caminhando em sua direção, deixando cair a toalha na qual eu estava enrolada, olhos fixos nos seus, parecia um felino quando se aproxima manso da presa. – tenho quem eu quiser na minha cama ou seja lá onde for, não importa. Eu não tenho culpa se tua mulher gostou disso aqui, olha! – peguei sua mão e deslizei no meu corpo, ele tremia. – Você está suando, Lucas? Não conhece mais o meu corpo? Não dá mais conta do recado e foi por isso que a namoradinha teve que vir gozar na boca de quem te ensinou a ser macho?

Ele me virou contra a parede com brutalidade, abriu a calça e pôs o pau já duro para fora, doeu quando meu rosto bateu na parede, mas eu gargalhei:

– Isso, mostra que é um bom aluno e não esqueceu o que te ensinei.

sensualidade2– É isso aqui o que você quer, Janaina. E um pau grosso e grande ela não tem pra te dar. – Ele me penetrou com força, puxou meu cabelo e inclinou minha cabeça para trás e começou a sussurrar ao meu ouvido. – Diz agora que não sou homem. Tá sentindo o homem entrando em você, com força e sem pena do jeito que você gosta, do jeito que uma vadia feito você merece.

– Ainda assim eu sou melhor que você. – falei com voz sussurrada e debochada, me contraía a cada estocada que ele me dava, doía um pouco, mas eu estava sentindo prazer com aquilo, além de seu desejo, eu sentia sua raiva dentro de mim.

Ele gozou.

Me virei de costas para a parede, o observei se vestindo, ele foi saindo.

-Lucas! – ele se virou. – Diz pra Camila que ontem ela foi ótima e amanhã eu a estou esperando.

Deslizei pela parede até sentar no carpete, ainda o olhando e sorrindo, meu rímel borrado.

– Vaca! – Virou-se e bateu a porta.

Outro dia ele volta.

Bella Carvalho
Aspirante à tantas coisas foi cursar museologia, contista em horas vagas e de insônias. Ainda não sabe se é só de zoeiras ou da vibe do amor, mas de uma coisa essa morena tem certeza, entre o nascer e o morrer, aproveitemos os carnavais e bacanais. Fale com ela pelo e-mail: bella@derepente.blog.br