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Dividida entre planejar aulas, ler um livro, estar louca pra jogar conversa fora e ser uma mulher de poucos amigos, fim de semana inspirador esse. Luciano me deu apenas um alô pra dizer que ainda estava vivo e que logo voltaria para a Cidade das Mangueiras, que está curtindo o México mas sente falta do açaí no Veropa. Sinto saudades daquele idiota. Poderia ir beber no apartamento do Alessandro, mas depois daquela declaração estou o evitando um pouco, quem sabe ele não tira essa ideia da cabeça. Mas, por outro lado, hoje é dia de rock bebê!

Às vezes eu queria sofrer por essas coisas, tipo, por ter deixado o Alê sozinho no sítio e ainda nem sequer ter respondido as suas trinta mensagens, as pessoas reclamam dos pontinhos azuis do aplicativo, que eles só afirmam o seu papel de trouxas, mas eles também nos fazem imaginar como somos insensíveis, mas nem tanto, então desativamos os pontinhos e o visto por último para nos sentirmos menos culpados e mais “reservados”. Contudo, vou sair mais tarde hoje, serei sensível o suficiente para que ele não pense que sou uma escrota pisoteadora de sentimentos. Creio que ele já estará dormindo e não me verá pela sacada.

Uma volta pelo quarteirão, pub novo com festinha de inauguração, a velha turma da rockada e do motoclube, hoje só deu os conhecidos no point, sem chances para caçadas nesse ambiente. Não gosto de me expor, o segredo de tudo é a discrição, o máximo que essa noite iria render era muita cerveja, sinuca e rock’n roll.

– E aí, encara uma partida valendo uma garrafa de whisky barato? – Luana desafiou-me já me entregando o taco.

– Claro! Por que não? Você vai perder e beber junto do mesmo jeito. – peguei o taco e sorri. – Você primeiro.

Depois de alguns lances, me vi em uma sinuca, última tacada, caso errasse ficaria setenta reais mais pobre. O taco riscado de giz deslizava sobre meu polegar, procurava uma mira boa e uma tabela precisa, finalmente toquei contra o bolão que bateu em dois cantos da mesa antes de acertar a bola seis que ficou um centímetro à beira do buraco.

– Uhuuuu! Desce uma garrafa de whisky aqui, garçom, por conta da índia gostosa! – gritou Luana. – Não se pode ganhar todas, meu bem.

Sorri e balancei a cabeça. Alguém se aproximou por trás de mim.

– Um pouquinho mais de força na tacada e a partida era sua. – um moreno alto me disse sorrindo.

– Quer me mostrar como se usa um taco? – perguntei maliciosa, arqueando a sobrancelha. – Reparei que de baquetas você entende.

Ele sorriu sem graça.

– Ora, deixe disso! Ele não morde. – me aproximei lhe entregando o taco. – Eu mordo.

– Damas primeiro. – relaxou os ombros e tomou uma posição perto da mesa.

– Legal! – dei a tacada inicial. – Qual seu nome?

– Rafael. – falou seco enquanto olhava as bolas rolarem, a sete caiu. – Eu derrubo as pares.

– Talvez, quando eu parar. – derrubei a cinco e a três. – Só estava aquecendo, meu bem.

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Enquanto ele rodeava a mesa, procurando um bom ângulo quando chegou sua vez de jogar, eu o observava clinicamente. Baterista, barba por fazer, unhas roídas (ansiedade, talvez, ou apenas por mania), camisa preta com estampa de alguma banda dos anos setenta, passos firmes, uma mania de contrair os lábios e arquear as sobrancelhas ao mesmo tempo, mãos inquietas, moreno, alto, sorriso largo, olhar ora distraído, ora atento, inteligente, mas deixa esse detalhe escapar aos poucos perfume gostoso de alguma marca comum, nada muito vaidoso, gosto disso. É. Eu gosto. Rafael, carinha interessante.

– Perdeu. – Eu disse calma.

– Vai querer uma cerveja? – Ele perguntou.

– Não. Prefiro um cowboy. – Respondi. – Whisky, doze anos, sem gelo, sem nada. – acrescentei e sorri quando ele me olhou confuso.

– Ah, claro! – ele sorriu. – Bebo pouco ou quase nada.

Voltou alguns minutos depois com minha bebida em uma mão e uma soda em outra. Achei intrigante e ingênuo, “Será que ele pretende me embebedar?”, pensei. Alguns alunos do curso de artes visuais acabavam de chegar, virei de costas, dificilmente me viam de jeans e camiseta, não me notaram.

– Quer sair daqui para outro lugar? – falei já puxando-o pelo braço.

– Legal! – foi a única coisa que disse enquanto apertava os lábios e arqueava as sobrancelhas ao mesmo tempo.

– Eu estou a pé. E você? – Perguntei.

– Eu também. – ele disse, sem nenhum constrangimento, que me deixou encantada. Garoto seguro. – A gente pode chamar um táxi, tens uns motéis legais aqui perto, com hidro e tal…

– Oi? Eu te chamei pra sair de lá porque meus alunos entraram no pub. Nada contra calouros, mas eles acham o máximo quando veem que frequentam o mesmo bar que a professora descolada e tatuada. – balancei a cabeça e sorri. – Ora motel!

– Nossa, que mancada! Olha, desculpa. Eu não quis dizer que você é uma garota fácil ou algo do tipo, só uma mulher que sabe o que quer e… enfim, foi mal.

– Relaxa, eu estou te zoando. Conheço um que você vai gostar aqui perto. Tem preservativos aí? Odeio esses de motel, secam, não lubrificam legal, irritam… – calei a boca quando percebi que ele me olhava com uma cara cética. – A parte dos alunos era verdade. Vem!

Entramos no táxi.

– Boa noite! – falei ao motorista. – Quero ter uma noite de princesa. – sorri com falsa candura.

Ele compreendeu e seguiu.

Rafael me olhava de um jeito de quem não intendia o que eu fazia, o que eu queria, eu nem sequer falei meu nome e ele nem ousava perguntar. Apenas surgi no fim de uma apresentação de um pub qualquer da Doca. Shorts jeans, botas cano curto, uma baby look preta com estampa de uma banda oitentista qualquer, cabelos soltos, bunda grande, não parece estar armada, legal. Era o que passava em sua cabeça.

Entramos no quarto espelhado, tirei as chaves de casa do meu bolso, pus sobre a cabeceira da cama, ele foi abrir as torneiras da banheira, peguei uma cerveja no frigobar, estava meio quente, fiz careta e ele sorriu.

– Precisa sempre beber alguma coisa? – ele perguntou.

– Nem sempre. Mas já que comecei, você se incomoda com o gosto? – pus a lata ao lado da banheira.

– Não, fique à vontade. – disse educado.

– Não faria diferença mesmo. – dei mais um gole e sorri.

Sentou-se ao meu lado, me olhou nos olhos e me beijou. Beijo longo. Na verdade, naquela noite eu estava inquieta, precisava conversar, ou simplesmente ouvir, mas sinceramente, acho mais estranho procurar alguém aleatório pra conversar sobre meus dilemas do que dormir com um estranho e falar meia dúzia de coisas necessárias que vão tirar um peso e tanto da minha mente. Sentia falta disso no Alessandro, mas ele não estava alí pra me ouvir, Rafael estava e ele sorria enquanto beijava, pessoas que sorriem enquanto beijam são confiáveis.

– Me conte suas histórias mais loucas. – Falei, com a mão ainda no seu rosto depois de um beijo, olhos nos olhos.

Ele falou várias coisas, me diverti com jeito jovial e engraçado, em nada se parecia com aqueles “pseudointelectuais” com quem costumo estar rodeada. Subi em cima dele, me pus sentada sobre o seu quadril, tirei a blusa, a joguei para um canto do quarto, me inclinei para beijá-lo, suas mãos nas minhas costas já abriam os colchetes do meu sutiã. Levantei, os mamilos eriçados, o olhei e perguntei:

– Quer me contar mais alguma? – Sorri.

– Não. Fica pra depois. – Pôs a mão no meu pescoço por baixo dos cabelos e me puxou, seguiu-se mais um beijo, mais um de muitos daquela noite.

Hand Gripping Sheets, Couple Naked on Bed in Background

Hand Gripping Sheets, Couple Naked on Bed in Background

Suas mãos médias viajavam pelo meu corpo tirando qualquer vestígio de tecido que me cobrisse. Resolvi me entregar de vez. Sim, sem pudores, sem hora pra parar. Se havia uma fantasia que eu nunca me permiti realizar, foi amar. Então, naquela noite me permiti amar Rafael, a entregar meu corpo com paixão. Abri os olhos e ele estava com sua boca mergulhada entre minhas pernas, tentei relaxar. Foi difícil, já que ao acertar tecnicamente pontos do meu clitóris, eu sentia as pernas tremerem involuntariamente, elas queriam fechar e o prender ali, eu as segurava ao passo que não controlava meus espasmos de prazer, me dividia entre sentir sua língua úmida e macia dançar na minha boceta ou dominar meus músculos.

Ele se satisfazia ao ver meu corpo contorcer, minhas mãos agarrarem seus cabelos, levantava os olhos para que encontrassem os meus, mas não parava de me chupar e nem eu queria que o fizesse. Mantive o controle por vezes para que não gozasse, mas em dado momento não foi mais possível, senti o líquido descer quente e ainda assim ele não parou, precisei puxá-lo para cima de mim. Suspirei ofegante, pedi tempo para respirar, ele riu triunfante. Voltei outra vez para cima dele, minha vez de retribuir. Seu perfume era muito gostoso, enquanto o mordia no pescoço, respirava fundo para memorizar seu cheiro, brinquei com seu brinco na orelha esquerda usando minha língua, fui deslizando com ela até seu mamilo, ele se retesou por ser sensível, dei leves beijos até sua barriga, parei por um instante, notei que seu umbigo era bonito, achei sexy e dei um beijo. Seu pau pulsava de desejo enquanto eu deslizava os lábios molhados próximos a ele, brinquei o quanto quis antes de abocanhá-lo com a boca refrescante de quem acabava de chupar uma bala extra forte, ele gemeu, o engoli todo, faminta de tesão.

Entendi o motivo dele não parar de me chupar, quando se faz o que se gosta, perde-se a noção do tempo, não percebi os minutos passando enquanto eu sugava seu pau teso na minha boca sem parar, mas ele não gozou. Voltei para beijá-lo enquanto ele colocava um preservativo, então sentei, aos poucos o senti todo dentro de mim. Mexi devagar, fazendo movimentos circulares, de um jeito que me esfregava no corpo dele, logo gozei, tamanha a intensidade do desejo que sentia, não importava, tínhamos a noite inteira. Me joguei para o lado, fui beijada muitas vezes enquanto ouvia aquelas músicas clichês de motel, me perguntava em pensamento se em todos os motéis do universo só se ouve Listen to your heart da Roxette e Wherever you go de Bryan Adams.

b639c0510cfdcb00e3c9d5a73f475d93Rafael levantou minhas pernas quando estava por cima de mim, me penetrou com cuidado, mas as estocadas que se seguiram foram fortes e intensas, sempre voltava os olhos para os meus quando percebia que eu iria gozar, e eu gozei de novo e de novo e de novo naquela noite. A cama parecia um tatame, sempre que atingia o orgasmo e estava sem voz para falar qualquer coisa, batia em sua costas ou sobre a cama, quando estava em uma posição que não podia tocá-lo, assim ele sabia que eu não aguentava mais e precisava me dar um tempinho. Ele apenas saía de cima de mim e me dava carinho enquanto eu relaxava, iam de beijos longos a carícias nas costas, meus pelos todos se eriçavam.

Me levantei, procurei algo para beber, notei que ele ainda esteva ereto. Não, hoje não vou contar vantagem, estou sendo nocauteada, pensei. Sentei à beira da piscina e ele veio atrás de mim, não falou nada, apenas me virou, me inclinou e me penetrou. Senti suas mãos na raiz dos meus cabelos me puxando para trás, tapas fortes na bunda. “Com mais força!”, pedi, ele atendeu. Senti sua palma estalar. A luz da lua nos clareava, eu a olhava e fechava os olhos para sentir, ele parou. Me lubrificou, e com todo o cuidado me penetrou mais acima, senti uma leve dor suportável, tentou devagar, me deixando excitada o tempo inteiro para que eu relaxasse, até que o disse que poderia mandar ver. Ele não hesitou. Uma sequência de bombadas, alternando entre rápidas e devagar, eu me masturbava enquanto ele me fodia de verdade por trás, ainda assim não gozou, mas eu cheguei ao orgasmo novamente.

– Ainda quer mais? – Ele me perguntou com um riso malicioso.

– Vá matar outra! – Rimos juntos.

Ele começou a se masturbar, me pôs de joelhos na sua frente, lambi sua virilha, acariciei seu saco enquanto ele batia uma pra mim, antes de gozar, levantou meu queixo:

– Abra a boca! – Ordenou.

Obedeci. Engoli toda a porra que ele havia guardado durante o sexo todo. Uma gota caiu no queixo, passei o dedo, levei à boca sem tirar os olhos dos seus, lambi os lábios e sorri marota:

-Não gosto de desperdícios. – Falei ao piscar o olho. – Agora vou dormir.

– Tudo bem, eu deixo. – Me beijou na testa.

– Cachorro convencido! – Bati em seu ombro e saí em direção à cama.

Fingi dormir enquanto ele brincava de beijar meu corpo em um canto e ver onde eu me arrepiava, até que ele dormiu. Seu sono era leve, mas já tenho prática em sair dos braços de alguém. Eu preciso ir para casa, me recuso a acordar aqui, pensei. Liguei para a recepção, pedi a conta e um táxi. Enquanto me vestia e esperava sentada à beira da cama checando minhas mensagens, senti seu braço se estendendo por cima de minhas pernas, tirei-o devagar para não acordá-lo. “Nada pessoal, baby. Preciso começar meu dia com o café expresso da esquina de casa, meus alunos agradecem.” O táxi chegou.

Sob sua carteira ficou um bilhete:

“Não sinta-se menos homem por isso. Valeu cada centavo. A próxima é por sua conta, se você me achar, é claro.

P.S.: Seu oral é incrível!”

Dias depois, precisei pedir para um colega físico me ajudar a organizar um material sobre Newton, não estando na cidade, me deu apenas um número de telefone de um ex-aluno seu. Horas depois de entrar em contato com o rapaz, fui abrir a porta do ateliê. O rapaz alto me olhou cético:

– Dra. Janaina Bastos, é? Historiadora? Sei.

– Estendeu a sua mão. – Muuuito prazer. Rafael Wester, os Wester sempre pagam suas dívidas.*

*Referência ao personagem de uma série de TV americana.

Bella Carvalho
Aspirante à tantas coisas foi cursar museologia, contista em horas vagas e de insônias. Ainda não sabe se é só de zoeiras ou da vibe do amor, mas de uma coisa essa morena tem certeza, entre o nascer e o morrer, aproveitemos os carnavais e bacanais. Fale com ela pelo e-mail: bella@derepente.blog.br