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Se eu te amo e tu me amas, um amor a dois profana o amor de todos os mortais, porque quem gosta de maçã irá gostar de todas porque todas são iguais.*

Eu estava estressada naquela manhã de sexta-feira, mas como não gosto de soltar meus cachorros nas pessoas sem necessidade, preferi ficar na sacada do apartamento ouvindo música, bebendo vodka sabor menta (cedo sim, e daí?) e olhando a Doca um tanto movimentada pro meu gosto. Na verdade, eu estava com uma TPM do cão, sem cólicas, apenas sensível, recusava-me a brindar o mundo com o meu mau humor, minha poltrona na sacada e a garrafa ao lado estavam mais que aconchegantes, o que me fez pensar duas vezes em levantar antes de sair pisando duro para abrir a porta quando ouvi a campainha tocar.

– Alê?! Que surpresa você aqui agora. Está tudo bem? – perguntei ao abrir a porta e gesticular para que entrasse.

– Está tudo bem sim. Passei aqui porque lembrei que você não viajou nessas férias e… – parou para olhar meu copo.

– Você está bebendo tamanha nove horas da manhã?

– Beber, comer e foder, não se tem hora marcada pra isso, aliás, para nada se tem.

– Bem, eu vim saber se você quer ir ao sítio novo que eu comprei mês passado, está um pouco desorganizado, mas dá pra passar um fim de semana legal. Está a fim de ir? – sentou-se no sofá.

– Olha, Alessandro, eu até gostaria de ir, mas não estou uma boa companhia hoje. Já sou antipática em dias normais, imagine de TPM. – me joguei ao seu lado e os cabelos bateram no seu rosto, ele os jogou para o lado gentilmente.

– Não mete essa que você é a pessoa mais divertida que conheço, além do mais, estou levando uma mesa de sinuca, você vai na sua moto e qualquer coisa, se sentir vontade, volta pra cá, é pertinho mesmo. Diz que sim, por favor…

– Ok. Estou me deixando convencer por tão pouco ou quase nada. – me levantei para trocar de roupa.

– Valeu pela parte que me toca! – pegou meu copo e engoliu o resto de bebida. – Argh! Tem gosto de creme dental!

Bagagem pronta, subi na moto, deixei que sua caminhonete saísse na minha frente. Pegamos a alça viária, seu sítio ficava próximo das terras dos meus pais, não passei por lá porque eles sempre viajam para visitar meus tios em Manaus nessa época do ano. Estacionei a moto no pátio de uma bela casa de campo, fiquei admirando a paisagem, senti a mão de Alessandro tocar meu ombro e ele me chamando para prepararmos algo pra comer.

– É uma paz isso aqui. – ele disse enquanto olhava para o horizonte e de longe avistava a margem do imenso rio.

– Verdade. Passei minha infância por essas bandas, me perdendo nessas matas e atravessando essas águas de canoa.

Só faltava deixar minha mãe louca, ela me metia medo dizendo que qualquer hora dessas a mãe d’água iria me levar para o fundo do rio. – rimos muito quando falei disso. – Se ela soubesse quantos eu já arrastei para esse rio, diria que eu sou a própria Oxum.

– Coitada. Não deve ter sido fácil te domar. – ele comentou no momento em que se afastava para buscar a caixa amplificada.

No pátio, colocou a caixa, posicionou a mesa de sinuca, numa concentração de quem desarmava uma bomba. Começou a tocar um play list com Zélia Duncan, Cassia Eller, Raul Seixas e outros assim. Essa coisa do Alessandro me conhecer bem demais, meus gostos e como eu me sentia, me desconcertava, era como se ele estivesse sempre a um passo à frente para tudo o que eu falasse ou fizesse. Fui à cozinha buscar uma bebida para nós. O tempo passou sem que percebêssemos, estava entardecendo.

– Tem uma trilha por aquele lado, vai dar em uma margem incrível do rio. Quer ir? – Ele me perguntou todo animado.

– Pode ser! – respondi. – Já que eu vim até aqui, vamos aproveitar.

Andamos um pouco e fui subitamente puxada pelo braço, quando me virei já estava presa no abraço de Alessandro, seu beijo intenso já me consumia, permiti.

– O que foi isso? – perguntei.

– Eu quero você! – ele me respondeu olhando fundo nos meus olhos, seus olhos azuis sempre me surtiram um efeito incomum.

– Era só falar, Alessandro, fazemos isso sempre. Não era necessário me trazer para o meio do mato. – falei dando de ombros.

– Eu quero você, Janaina! Quero amar você como nunca. Não quero só transar e te ver indo embora no meio da noite com uma garrafa de whisky do meu armário. – Ele me segurou forte novamente.

– Espera! Calma! Você está confundindo as coisas, eu não sou mulher pra isso. Você está cometendo um erro grave.

– Que erro? Me diz! – ele perguntou irritado. – Você é uma psicopata, por acaso? Claro que não é. Se fosse eu saberia. Eu sou psicólogo, um bom psicólogo, por sinal.

– Não é isso. Pelo contrário, você me conhece bem demais, até. Você sabe que eu não sinto amor por nada. Eu nunca vou te corresponder e isso só vai te fazer sofrer. Você é um cara perfeito, lindo, financeiramente estável, independente, cavalheiro e tantos outros adjetivos, mas nada disso me interessa. Eu só me interesso pelo carnal. – me aproximei dele e toquei seu corpo. – eu só sigo os instintos, esse sentimentalismo todo pra mim é apenas bobagem, um saco, totalmente desnecessário. E me desculpe. Nada no momento me faz deixar de ser assim.

– Eu sei quem você é, e mesmo assim eu te quero, eu desejo você a todo instante e não me importo com suas loucuras ou com os padrões que as pessoas impuseram para relacionamentos, eu só quero poder estar com você, da maneira que for. – continuou a me segurar.

– Para, Alê! – me soltei de suas mãos. – Eu sou um animal quando se trata disso, eu não me importo com o que você sente ou com o que qualquer outro sinta por mim. – os pingos de chuva começaram a molhar nossos rostos. – A única coisa que eu posso sentir com você me falando isso é o cheiro de sexo que está exalando do seu corpo agora e nem essa chuva é capaz de camuflar. – fechei os olhos e estalei o pescoço. – eu poderia te jogar agora nessa poça d’água porque é o que eu sinto, só essa atração carnal.

– Então faça isso! – ele me agarrou mais uma vez. – Parece louco, mas é assim que te quero, louca.

Parei estática, o olhei nos olhos, pingos de chuva caiam pesadas de seus cílios que não piscavam, empurrei minhas mãos no seu peito e o joguei contra uma castanheira, ele fez uma cara de dor, quebrei a seriedade com um sorriso largo, o puxei de volta pela gola da camisa preta que contrastava bem com sua pele branca e nos jogamos no chão molhado pela chuva forte da tarde que ainda caía.

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Caímos naquela poça de lama, ele mordeu o bico do meu seio que insistia em aparecer sob a fina e transparente blusa branca, ele entrou no jogo, a rasgou. Lambeu do meu colo até a orelha, de fato ele sabia o que me excitava. A calça jeans demorou mais para ser arremessada para longe, mas a dificuldade é que deixa as coisas interessantes. Não vi problemas em sujar suas costas com minhas mãos enlameadas, cravar minhas unhas nela até ficarem grandes marcas vermelhas e manchas de terra, senti uma mordida no pescoço, o pau teso roçava por cima da minha calcinha, a chuva forte mal me deixava respirar, mas o tesão era mais forte ainda, parecíamos dois gatos selvagens no coito, que se engalfinhavam e se fodiam. Eu não precisava naquele dia lhe contar uma história, ele estava fazendo a sua.

Sua boca estava seca, então entre uma lambida e outra, bebia a água que se acumulava na minha barriga, eu fazia o mesmo no seu corpo, alí nos bastávamos. É difícil ser lubrificada estando embaixo de chuva, seu pau grande iria penetrar-me feroz, não me importava, eu iria gostar disso, e assim aconteceu. Senti arder. Suas estocadas foram fortes, tive meu primeiro orgasmo olhando pro seu rosto pingando sobre o meu, eu podia gritar de prazer o quanto quisesse, estávamos a sós no mundo. Continuava a chover e já escurecia, fiquei largada na lama, ele sentou sobre as próprias pernas diante de mim. Via aquele corpo grande de ombros largos, tórax liso e musculoso sendo iluminado pelos raios da tempestade, ele me arrastou pelas pernas, minhas costas arderam quando fui arrastada sobre pequenos gravetos e pedregulhos daquela trilha empoçada. Começou a me chupar devagar e a chuva cessava um pouco, dava pra sentir melhor o movimento da língua dele dançando dentro da minha boceta, suas mãos agora apertavam meus seios e me sujavam de terra e folhas trituradas, abri os braços, inclinei a cabeça para trás e comecei a rebolar para que o oral seguisse um ritmo que me desse prazer, ele passou um bom tempo alí, há muito eu não sentia um boquete com tanto desejo, parecia que ele estava beijando minha boca entre minhas pernas, imagina um gato lambendo sua pata, era isso que eu via quando olhava pra lá e via sua cabeça se movimentando para cima e para baixo, enfiei as unhas em seu couro cabelo, agarrei os cabelos e gozei mais uma vez. Sua mão desceu do meu joelho, deslizou pela coxa, chegou à minha bunda e estalou com um tapa que a deixou vermelha.

– Fica de quatro! – o ouvi falar. Obedeci.

Minhas mãos, pernas e joelhos ficariam em desgraça, pelo menos era só o que eu esperava. Me assustei e mordi forte o lábio inferior quando senti uma errada no traseiro, errada era o que eu pensava, ele fez de propósito, mas já estava dentro, agora era respirar, relaxar e deixar. Levei uma mão ao clitóris para me estimular e aguentar aquele anal violento, só que ele maneirou, foi devagar e fundo. Eu tremia, de frio, de tensão, relaxei aos poucos. Quando inspirava, os músculos apertavam seu pau dentro de mim e ele fechava os olhos com força e soltava gemidos de prazer. Quando eu estava lubrificada e totalmente excitada e relaxada joguei os cabelos ensopados para trás, ele os agarrou e começou a socar, primeiro devagar e depois mais rápido, parecia cavalgar em cima de mim, agora parecíamos cavalos largados no pasto, entre mordidas, puxões de cabelo e estocadas severas gozamos feito animais. Ele levantou, estendeu-me a mão e me ajudou a levantar. Saí correndo, ele correu atrás. Pulei na piscina, ele pulou em seguida. Ele nadou ao meu encontro, me agarrou dentro da piscina e me beijou.

– Eu quero você do jeito que você é. Livre e sem escrúpulos. Eu sei o que esperar de você. Você não é dissimulada e nem uma deslumbrada que vai querer estar tomando vodka na carroceria da minha pick-up em Salinas, fingindo ser o que não é. – Ele falava agarrado a mim dentro da água morna da piscina. – Dorme aqui comigo essa noite?

Não respondi, o beijei outra vez, gentilmente o afastei de mim, saí da piscina. Entrei na casa, me sequei e fui pra cama. Ele fez o mesmo. Deitou ao meu lado. Ficamos mudos, olhando um para o outro. Nossos olhos se fitavam, nada falavam, mas diziam muito. Suas pálpebras pesaram aos poucos e por fim ele dormiu. Tirei seu braço devagar de cima de mim, com o cuidado que uma mãe exausta tem para não acordar seu bebê. Eu tentei, juro que tentei ficar, mas não dá, é mais forte que eu. Eu quero espaço, um braço me agarrando todas as noites na cama, uma hora ou outra vai me parecer uma jaula, e não queira estar perto de uma besta enjaulada, ou ela fica ainda mais perigosa ou definha. Tenho medo da segunda opção. Me vesti. Fiquei parada o olhando. Seu corpo belo esparramado em cima da cama, típico de homem que acabou de amar e não trepar, e a Cavalo de Troia me esperando lá fora, iria denunciar minha fuga, eu sei. Mas antes de passar pela porta e o acordar com o ronco do motor, fiquei a admirá-lo. Ele me ama e o sentimento não é recíproco. Pensei. Mas, meu ego ficou tão exaltado que não pude evitar de falar em voz baixa:

– Se eu acreditasse em pecado, eu arderia no mármore do inferno por tamanha vaidade.

*A maçã – Raul Seixas

Bella Carvalho
Aspirante à tantas coisas foi cursar museologia, contista em horas vagas e de insônias. Ainda não sabe se é só de zoeiras ou da vibe do amor, mas de uma coisa essa morena tem certeza, entre o nascer e o morrer, aproveitemos os carnavais e bacanais. Fale com ela pelo e-mail: bella@derepente.blog.br