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Eu acho que a vida é um grande palco e você a passa inteira encenando diversos papéis…

O meu, no meu ambiente de trabalho, é o de séria, imaculada e sistemática. Na rua, sou a desastrada, em casa eu sou o Sid de Era do gelo (o que não deixa de ser desastrada), com os homens… Aí depende do colega de cena. E eu te pergunto: O “EU” existe, sendo que você é uma construção de ideias de tudo o que viu e ouviu ao longo da sua vida patética? É complicado responder.

Eu vestia o meu personagem de séria quando o vi entrar naquela manhã pela porta da sala de reunião. O perfume com notas de whisky invadiu a sala, acompanhado de um ar autoritário que me incomodava bastante. Dorival Zimermman, era o nome da peste. Um homem maduro, por volta dos seus não mais que cinquenta e cinco anos, alto, pele morena e cabelos grisalhos, seus olhos verdes lhe davam um ar jovial, ombros largos e… aaah mãos grandes. Estava ali a pedido do reitor, iria avaliar um projeto meu em parceria com outros docentes da área de humanas. Mantive perfeitamente a postura que o papel exigia, nos saímos bem convincentes e obtivemos êxito na nossa proposta, mas durante toda a apresentação, aquele ser arrogante dos infernos me olhava como se eu fosse uma garotinha amedrontada em um concurso de soletrar.

Ao final, enquanto todos faziam a sua linha de bajuladores, me limitei em ser formal apenas, percebi que ele me observava sobre o ombro, mas fui indiferente. Mais alguns metros e eu estaria livre daquela máscara, pensava comigo mesma ao acelerar rumo ao portão da instituição.

Segundo ato. Filme!!! Aquele era o dia que eu havia tirado para contemplar as artes em suas diversas manifestações, à noite eu iria ao teatro. Filme na casa dos amigos significa “amor e outras drogas”, literalmente, embora eu não participe de certas coisas, mas observo e fico na minha onda, analisando o cenário do filme, figurino, atuação e de vez em quando dando um trago no “Jah” de alguém. Eu acho que fumei demais ou dormi, não lembro bem, só me recordo de ver aquela mão grande encostar na minha coxa e deslizar na minha calcinha a afastando para o lado, mas de repente parecia arder, um fogo que consumia desde minha vagina até meu pulmão, levantei ofegante e olhando para o relógio, estava na hora de ir pra casa me arrumar. “Mas que maconha estragada foi essa que me deram?” Perguntei a mim mesma quando bati a porta do apartamento depois que me despedi de todos.

Eu passei meses esperando o concerto musical do projeto “Sons da Amazônia” e pra mim era o meu natal, estava desolada de tanto ouvir Beethoven sozinha em casa, o que há de errado com os clássicos que ninguém mais gosta de ouvir? Dane-se! Era noite de orquestra, minha noite, meu programa, minhas regras!

Uma coisa que eu amo é me produzir para ir ao Theatro da Paz em noite de orquestra, me sinto aquelas madames de senhores importantes do ciclo da borracha (mesmo que eu vá só e isso não interessa), é como um baile de formatura, tem todo seu ritual.

Desci do táxi, parecia a Jolie amazônica, e confesso, eu não me sinto envergonhada ao chegar sozinha em eventos sociais, adoro ver as carolas me olhando atravessado logo que seus maridos se interrompem em meio de frases ao me ver passar, já disse, a noite é minha e eu era tal qual Eurídice indo ouvir meu Orfeu.

Chegando ao hall de entrada do teatro, tive que levantar sutilmente o vestido quando subi as escadas seguindo para o corredor das frisas. Meu vestido era discreto na parte frontal, corte reto, não deixava aparecer o colo, porém minhas costas se encontravam praticamente nuas, com um decote que ia até a altura do quadril, deixando minhas asas se revelarem sendo atrapalhadas apenas pela enorme trança feita nos cabelos longos e negros. Minha boca carnuda parecia ter vida própria, tão rubra, ao sorrir para alguns poucos conhecidos.

Tomei meu lugar em uma das frisas e esperei a orquestra começar. Estava maravilhada com a perfeição da melodia, eram instantes que poderiam durar para sempre, alguns até se encontravam lá no Paraíso, mas eu estava no céu e de tão elevada, foi enorme a minha queda em mim quando percebi os olhos verdes que me fitavam. Não era possível o quanto aquele sujeito me deixava desnorteada com seu temperamento mandão e arrogância exalando por seus poros. No intervalo saí, parecia a Cinderela fugindo às doze badaladas e parei diante do espelho enquanto procurava o celular para chamar um táxi. Ao levantar o olhar dei com o reflexo daquela assombração atrás de mim. “Janaína Bastos, se não me falha a memória”. Pronunciou enquanto olhava para o lado com aquela voz tão grave que eu poderia jurar que ele dublava o Bruce Wayne. Olhou para o piso decorado em parquê e os retornou para o espelho onde fitava os meus olhos, tão assustados quanto os de uma garotinha diante de um cão raivoso. “Boa noite”. falei com a boca seca e voltando a procurar o contato do taxista, fingi não dar a mínima para a sua presença. “E a propósito, é Doutora Janaína Bastos”. Conclui, indo para as escadas, esqueci de levantar o vestido, pisei na barra e escorreguei nos braços do tal. Porra! Gritou minha revoltada interior. Putz! Vou dever o favor de não ter pago o mico me estabacando no mosaico do hall. “Obrigada!”, me obriguei a pronunciar estas palavras.

– “Esqueça o táxi, eu a levo até em casa”

-“Não precisa, obrigada. Moro aqui próximo”.

Ele segurou uma de minhas mãos, pôs a outra mão na minha cintura e me conduziu para a porta de saída: “Tenho que apagar a má impressão que talvez tenha lhe causado esta manhã”, Ele disse. Apenas sorri, um sorriso tão falso quanto a meia entrada de alguns dos meus alunos, mas fui para o carro dele e eu não sei qual o poder que ele exercia sobre mim, mas era fato que ele me controlava. Me acomodei no banco do carona e resolvi empinar o nariz. “Desculpe, mas acho totalmente desnecessário me levar pra casa”, ele deu um riso tão canalha de canto de boca: “Quem disse que estamos indo pra sua casa?”. Nesse instante eu pedi proteção a Jesus, a Oxun, a Maomé, Tupã… quem pudesse me livrar. “Você é um tipo de mulher a quem não preciso dizer o quanto é linda. Você sabe disso e usa isso”. “E isso é um problema pra você?”, aumentei minha arrogância ao nível master. Vamos discutir por igual, velho filho da puta (sim, era um coroa, mas era gostosão!). “Não. Gosto de mulheres cheias de si”.

Ele nos levou pra um motel caro pra porra, onde fui pouquíssimas vezes porque sinceramente nunca escolhi rola pela quantidade de dígitos na conta do portador, valia o tamanho, espessura dela e papo do sujeito mesmo. Ele não foi nada gentil ao pegar meu pulso ao me levar para o quarto. “Você não acha que nós vamos tra…”, nem completei a frase quando escutei o barulho do tecido caro sendo rasgado no meu corpo.

Enquanto o vestido caia, deixando-me apenas com um fio dental de renda preto, fiquei atônita. Mas antes que eu pudesse contestar ele já agarrara minha trança, inclinou minha cabeça, lambeu meu pescoço; mordeu o lóbulo da minha orelha, enquanto uma mão agarrava meu seio e a outra invadia minha calcinha. “Eu não sou malvado, Doutora. Você é que está acostumada a ter tudo a hora que quer. Sua cara de safada não nega que você me queria desde o instante em que entrei naquela sala hoje”. De fato, ele nem me deu moral quando me apresentei, não me elogiou, nem nada, me tratou com tanta indiferença, me olhava como se eu fosse um verme. Eu quis mesmo sentir o tamanho do seu membro entre minhas pernas assim que ele disse bom dia com aquela voz lasciva. Ele era gostoso, sabia disso e usava isso. Ele era eu de calças. Suas mãos grandes desciam pelo meu corpo e abriram levemente minhas pernas, ele me inclinou e o reflexo que tive foi de apoiar as duas mãos na parede. Senti seu pau quente tentando me penetrar, nem foi preciso nada pra fazer eu me molhar toda, bastou o fato dele ter derrubado a minha máscara pra eu me sentir toda cativa. Ele me penetrou forte, seu pau era vigoroso e bem grosso, estava ciente de que iria sofrer, seus dedos pareciam querer penetrar minhas coxas, enquanto ele mordia as minhas costas, me virou de frente, levantou uma das pernas e continuou a penetração. Fitou mais uma vez meus olhos, “Você não passa de uma vadia”. Não resisti e sorri, nesse instante ele deu um puxão no meu cabelo e uma penetrada forte que eu me toquei: “Hoje eu não mando em nada”.

Ele mandou que eu desfizesse minha trança, obedeci. Contemplou meus cabelos soltos, me pôs no colo e me levou até a cama. Havia um óleo de massagem sobre o criado, começou a me lambuzar com ele, conforme suas mãos passavam por entre minhas pernas foram subindo até minha boceta, alternava entre penetrar um e depois dois dedos, massageou bastante e sentiu tentado a beber de mim, sua língua era quente, aveludada, eu imaginava que fosse ser seca e áspera, pura bobagem. Seu oral era perfeito, lambia bem, penetrava a língua, brincava com meu clitóris do jeito que eu gosto. Pegou minhas mãos e me fez masturbar-me enquanto ele lubrificava seu pênis, eu parecia um brigadeiro gigante de tão melada em óleo que estava, que por sinal realçava minha cor mulata. Ele só acomodou minhas pernas e começou a penetrar meu bumbum, fiz careta, me reclamei, mas ele continuou, doeu um pouquinho, mas depois que o lubrificante anestesiou um pouco veio uma sensação de frescor alternando com um quente que me deixava louca, não dava mais pra ele me controlar, minhas unhas estavam cravadas na sua pele como se delas dependesse minha vida, meu gozo foi tão intenso que não contive o grito, ao me ver gozando ele acelerou mais o ritmo e em um movimento rápido, retirou o preservativo e derramou todo o seu gozo nos meus seios.

Me servi um Evan Williams logo depois. Ali mesmo dormimos e no outro dia ele me deixou em casa vestida em seu paletó, disse que iria me dar outro vestido de presente, vestido esse que chegou em uma semana.

E eu estou esperando a próxima orquestra sinfônica, mas dessa vez… Eu que irei caçar alguém.

Não, a surra de pica não me deixou mais humilde, sinto muito.

Bella Carvalho
Aspirante à tantas coisas foi cursar museologia, contista em horas vagas e de insônias. Ainda não sabe se é só de zoeiras ou da vibe do amor, mas de uma coisa essa morena tem certeza, entre o nascer e o morrer, aproveitemos os carnavais e bacanais. Fale com ela pelo e-mail: bella@derepente.blog.br