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Penso melhor se estiver ouvindo música, então não estranhe se eu disser que hoje estava corrigindo provas (uma montanha de provas) ao som de Skank, Noites de um verão qualquer.  Essa música me faz lembrar o Lucas, do nosso tal relacionamento, aí também lembrei que não sou boa com relacionamentos, eles me dão preguiça, eu não sei lidar com eles, se é necessário ter uma formação em teatro e eu me dediquei a carreira acadêmica, não sei fingir e não querer quando quero, fingir e não me importar quando estou louca de ciúmes, eu me atrapalho toda, minha essência fica à flor da pele, não sei disfarçar meus sentimentos, sou uma péssima jogadora. Por isso não sei dizer pra vocês se o que vivi com Lucas foi um relacionamento. Se era, saudável é que não era.

A gente não se resolvia, hoje ele estava comigo e amanhã inventava uma desculpa qualquer para brigarmos e poder sair com outras pessoas. Se ele não fazia isso, eu fazia. Era bem isso, nós brigávamos para terminar e também para voltar. A volta sempre se resumia em sexo e muitas vezes brigávamos durante ele. Eu sou controladora, admito, se você usar um milímetro do meu shampoo acredite eu vou saber, o que dirá se a porra do cara com quem eu transo e praticamente namoro sozinha usar o lubrificante que eu deixei na casa dele? Claro que quando numa dessas nossas voltas eletrizantes, eu notei que ele usou o meu lubrificante, eu surtei. O normal seria eu desistir de fazer o anal, ficar com raiva, chorar, me vestir, bater a porta e ir embora. Mas não. Eu simplesmente dei meu cu pra ele. Mas não do jeito que vocês, deliciosamente estão imaginando. Foi praticamente no seco mesmo, eu estava com tanta raiva e como diz um colega meu: estava com os olhos “flamejando o fogo do juízo final”.

Sentei com vontade naquele pau e a cada vez que eu sentava, com toda a força que eu tinha, eu brigava e xingava ele, que se torcia de dor. “Porra, Lucas! Esse. Caralho. É. Meu. Eu. Comprei. Foi pra mim. Não pra você. Usar. Com. As putas. Que você. Traz pra cá.” Eu falava cada palavra durante uma sentada que eu dava, e falando sério, dava pra perceber que doía muito nele enquanto ele inutilmente tentava se defender, “Eu não usei a…mor. Para, vai devagar!”, “Devagar? Você pediu pra ela ir devagar também? Quer ter mais de uma mulher, aguente. Depois de mim, hoje você não come mais ninguém”. Bem, o certo é que no dia seguinte, nem mesmo eu daria pra alguém, se ele estava com o pau em desgraça, no meu rabo não passava nem a linha do Equador que é imaginária, imagina um pênis.

Hoje eu apenas sorrio dessas minhas lembranças com ele, foi difícil chegarmos à conclusão de que não nos fazíamos bem. De que as pessoas que estavam conosco não mereciam a mágoa de descobrir o nosso sexo bélico, então hoje é cada um para o seu lado, acreditando que nos superamos. Voltei do meu devaneio quando meu celular tocou, era o Luciano, meu melhor amigo, aquele que sabe todos os meus podres e ameaça jogar na internet caso eu faça cu doce pra pagar a próxima rodada, e retribuo sempre as chantagens dele com outras piores. “Paraguaçú, está afim de jogar uma sinuca? Eu tinha um esquema pra hoje, mas a gata teve um problema urgente pra resolver. Vem?”. Esse apelido carinhoso, o qual ele me chamava, não tem nada a ver com meus longos cabelos negros, pele morena ou coisa qualquer do tipo. Teve toda uma historinha por trás… e pela frente também, diga-se de passagem.

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Luciano me chamava de Paraguaçú porque sempre errava ao querer falar Araweté, que é uma tribo indígena, cuja cultura o homem tem uma ajuda dos “amigos” ao fazer seus descentes.  A esposa transa com o marido e mais um ou dois homens, no máximo, para que seu filho nasça forte, saudável e tal. Não me perguntem se isso é um ménage ou um de cada vez, porque não sei lhes responder ao certo. Essa palhaçada do Lu é desde uma vez que fomos juntos pra balada, alí por alguma boate do Reduto, comemorar o término do namoro dele com uma chata de galocha. Eu não costumo endoidar por lá porque geralmente tem um conhecido ou aluno por perto, prefiro evitar, mas nesse dia eu estava com a pá virada, já tinha tomado umas e outras antes de ir pra lá, eu estava afim de fazer uma onda pesada, além do mais a minha regra é clara, “Professora, eu vi você…”, “Não. Você não me viu.”, “Mas, eu…”, “Mas você nada. Não me viu e se continuar, vou falar com seus pais e serei obrigada a dizer que você estava bebendo uma maconha estragada e fumando um São João da Barra e ainda digo que seu boletim está igual um play list do Bob Marley, só reg. Reg. Reg… O que você viu mesmo?”, “Nada, professora, nada.” Isso sempre funcionava, mas nessa noite não tinha nenhuma testemunha das minhas loucuras além do Luciano. Égua, cara! Eu endoidei.

A festa estava ótima, o DJ era de fora da cidade, tocava muito, uma mixagem foda mesmo. Eu nunca precisei me drogar pra viajar nessas festas de música eletrônica, a música, a fumaça e o jogo de luz já dão conta desse recado, como o retardado do meu amigo já tinha se arranjado com uma piriga por lá, eu fui me esbaldar na pista com um copo de absinto na mão. Eu pirei mesmo o cabeção quando tocou Adele, eu simplesmente amo essa mulher, dancei muito, me soltei como nunca, e nessa onda um carinha colou em mim, agarrou pela cintura e dançou junto. Olha, ele era gostosinho, não minto, mas eu estava com um tesão danado em um boy que estava com ele. Eu, muito louca, não disfarçava minha vontade de pegar o outro, mesmo estando aos beijos com o loiro de olho azul do meu lado com cara de bebê. Mas porra! O outro era um pedaço de moreno barbudo que estava me deixando molhada só de morder aquela boca enquanto me dava mole de longe. Eras, nada justo isso! Dois gostosos me querendo nos mesmos cinco metros quadrados, isso é muito foda…e eu queria aquela foda.

Agora imagina mil borboletas explodindo no seu estômago, um calor empatando a sua respiração e sua xoxota piscando sem parar quando você se depara dançando entre os dois gostosos da festa e eles te alisando ali mesmo, no escuro disfarçado da pista. Imaginou? Pois corte seus pulsos porque estava acontecendo lá e COMIGO. Eu nem estava me importando com quem estava olhando, estava curtindo a minha noite, meu dia tinha sido perfeito e aquilo ia fechar com chave de ouro e eu não estou dando a mínima pra sua opinião de moral e bons costumes. Em outras comunidades isso é normal, e eu sempre disse que iria experimentar outras culturas (hahahaha CHUPA).

Eu fui de lá para um castelo, literalmente falando, e o Luciano foi também com a doida dele. Eu fui para um quarto com os meus, que até então nem sabia nome, o Lu foi para o quarto ao lado, um esperaria o outro, nossa regra, sai junto, volta junto. Eu sempre tive um tabu com essa coisa de ménage, tinha medo do que dois homens poderiam fazer comigo, eu, pobre e ingênua donzela (só que não) dentro de um quarto de motel. Mas que nada, mano. Quando dei por mim, eu estava de joelhos chupando um e masturbando o outro. Os meninos não eram nenhum cavalo, graças a Deus, minha primeira barreira foi pulada, depois daí relaxei, o absinto ajudou também. Parecia um sonho, estar lá na cama com um cara me chupando e outro fodendo minha boca. Nem nas minhas mais loucas fantasias me imaginei fazendo isso. E eles eram grandes, tinham uma pegada forte, e faziam tudo tão sincronizado que acho que eles já tinham feito isso juntos antes, ou então se comiam e estavam querendo coisa diferente, assim como eu, que só imaginava “Podem vir, adoro ser prato exótico!”

Nunca fui tão lambida na minha vida e me senti tão desejada, eu não gosto de marcas mas não me importei em perceber que iria ficar com algumas no meu corpo. E finalmente a minha hora tão esperada chegou. Depois de terem todo o cuidado do mundo de me lubrificar, me penetraram. Só sei dizer que não tem nada mais excitante, mais prazeroso do que duas rolas te penetrando simultaneamente, duas mãos no seu bumbum, duas nos seus seios e aquelas estocadas maravilhosas, estava me sentindo devorada. Foi o melhor orgasmo que já tive na vida. E o melhor de tudo é que peguei contato pra P.A´s, nunca se sabe quando você vai estar com um fogo louco e vai precisar de dois bombeiros à paisana pra te ajudar.

No fim, devido à questão geográfica, a guria do Luciano pegou carona com eles e nós fomos pra casa do dele jogar bilhar, o que eu estou indo fazer agora, mas não vou trepar com ninguém não porque essas correções de provas me deixaram um caco.

Beijos da Janaína pra vocês.

Bella Carvalho
Aspirante à tantas coisas foi cursar museologia, contista em horas vagas e de insônias. Ainda não sabe se é só de zoeiras ou da vibe do amor, mas de uma coisa essa morena tem certeza, entre o nascer e o morrer, aproveitemos os carnavais e bacanais. Fale com ela pelo e-mail: bella@derepente.blog.br