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“I’m bulletproof, nothing to lose. Fire away, fire away…” O mundo parecia completamente em câmera lenta enquanto eu pulava ao som de Titanium, meus cabelos soltos, suspensos no ar, tão negros, mal se destacavam da noite, de olhos fechados, o sereno tocando o meu rosto, o mundo poderia acabar ali, naquele instante, onde eu me sentia tão leve, pulando pra esquecer o mundo e mesmo assim me sentindo tão mundana na área VIP de um festival no Entroncamento. Quando retornei do meu transe, mal percebia que alguém dançava comigo e que junto às gotas de chuva, lágrimas também rolavam, afastei o cara de mim, “Sai! Não quero transar…”, o resto da frase, falei tão baixo que creio que só meu subconsciente ouviu, “… Quero fazer amor.”

Há três anos, na mesma área VIP, no mesmo festival, Eletro Hits Belém, onde a regra é a mesma todos os anos, homens e mulheres vestindo preto ou branco dançam loucamente no embalo dos melhores DJ’s  do Brasil que se reúnem em duas noites de pura curtição. Mas em nenhum outro ano foi tão bom quanto aquele, que tinha “os queijos” espalhados pela festa e as mais ousadas faziam seus showzinhos. Geralmente nessas festas eu sou aquela chata que diz que só veio pra dançar, mas eu te provoco MUITO antes de dizer isso, só pra fazer o mal. Só que naquela noite em especial, enquanto eu descia deslizando no bastão, no meio da multidão eu o enxerguei. Um garotão estava me seduzindo sem nem saber. Alto, pele branquinha e cabelos escuros, corpo delgado, em nada se parecia com os homenzarrões que estou acostumada a pegar, mas desci do queijo (e não do salto!), caminhei em sua direção, fui cortando a multidão como se fosse um mar de nada. Eu queria chegar até ele e não podia o perder de vista.

Como você já sabe, não tenho pudor algum de nada, logo, não foi nenhum problema chegar já lhe tascando um beijão pra ele não ter nem tempo de dizer que não me queria. Eu só não esperava que ele me olhasse tão espantado, mas logo se situou, viu que eu não era uma miragem e sorriu.

– “Você é sempre maluca assim?” – ele quis saber.

– “Na maior parte do tempo” – respondi com um sorriso largo.

Ele era o ser mais cativante que eu já havia encontrado, tinha um olhar tão risonho e gentil, dava até dó de abusar do corpo daquele filhinho da mamãe. Enquanto dançávamos, conversamos muita bobagem, mas aquela dança de acasalamento já estava me deixando louca. Minhas pernas torneadas dentro de um vestido preto curtíssimo roçavam nas pernas dele, enquanto ele segurava a minha cintura e me movia de forma lenta para um lado e paro outro até descermos juntos até o chão. “Você tem mais de dezoito anos?”, perguntei olhando para os olhos dele e falando bem perto da sua boca:

– “Sim, tenho dezenove. Por quê?”

– “Vou te arrastar daqui e espero que seus pais não deem queixa por isso.”

Saí puxando-o pelo braço enquanto eu dava saltinhos por causa da música legal que tocava. Até conseguir sair de dentro da festa, ele me perguntava pra onde íamos e eu fingindo que não ouvia. Peguei meus capacetes e os entreguei. Ele quase teve um surto quando viu minha moto preta, modelo custom, estacionada:

– “É uma…uma…Har…”

– “Sim, uma Harley Davidson, mas carinhosamente chamada de Cavalo de Tróia.”

– “Mas por que esse nome?”

– “Porque em cima dela anda uma guerreira sanguinária hahaha.”

– “Tá, mas para onde essa guerreira está me levando, posso saber?”

Virei pra ele, mas continuei andando de costas, sorri e respondi: “Para a melhor foda da sua vida”.

Um amigo uma vez me disse que, se você anda com uma calça de couro em um shopping, você é motivo de chacota para todo mundo, da criança ao velho, da porta de entrada à porta de saída , mas se você está com uma calça de couro em cima de uma Harley Davidson, você é o sexo em pessoa. E não há nada que faça esses menininhos ficarem mais malucos e capachos do sexo. Imagina comigo ali, personificada.

Ele subiu na garupa, dei a partida e peguei a BR 316. Ao longo do percurso, dobrei à direita e ele em tom brincalhão me perguntou se por acaso eu estaria planejando matá-lo de tanto prazer e depois desovar na alça viária. “Claro que não, seu bobo”, respondi. Estávamos próximos ao nosso destino, então diminui a velocidade, soltei a embreagem e peguei sua mão tão fria, a pus na minha boca e engoli dois de seus dedos, depois deslizei-a pelo meu corpo, fiz com que afastasse minha calcinha e deixei que me tocasse. Ele estava trêmulo, não sei se de medo ou de tesão:

– “Nós vamos, cair!”

– “Deixa de ser frouxo, não vamos não. E continua, que está ficando gostoso”.

Ele obedeceu e foi além, não só me masturbou, como afastou meu vestido e acariciou meus seios e me beijava na nuca, á medida que ele perdeu o medo, acelerei um pouco mais, não via a hora de chegar ao destino.

Ponte do rio Acará km 43, chegamos. Nessa hora acho que ele realmente pensou que eu fosse matá-lo e jogar o corpo no rio: “Meus pais têm um sítio aqui na margem, mas não se preocupe porque não vamos acordá-los. Vem!”. O levei em direção ao rio, onde tinha um pequeno píer. O meu barco estava lá, modesto e aconchegante. Embarcamos, procurei se ainda tinha algo pra beber e encontrei meia garrafa Bourbon. Ele estava maravilhado e eu me sentindo uma loba má, levando aquele novilho pro abate no meio do rio. Sim, isso mesmo! Naquela noite de lua, eu queria um romance e achei conveniente levar aquele carinha dez anos mais novo do que eu para curtir o resto da noite comigo no meu barco. Ficamos parados lá no meio, observando a lua de um lado e do outro, os carros que passavam sobre a ponte. “De que sonho você surgiu?”, ele me perguntou enquanto me puxava pra si e me beijava. Boba fui eu, em achar que ele não soubesse quase nada. A pegada dele era forte, suas mãos grandes acolhiam bem a minha bunda, elas apertando os meus mamilos era uma delícia, nem mesmo fui pegar um lençol para por no convés, antes disso ele me deitou sem panos mesmo, me fez contorcer enquanto sugava meus seios e enfiava o dedo médio na minha buceta que já estava bem úmida, retirou e pôs o dedo na boca, olhou pra mim e disse: “É, você é mesmo muito gostosa.”

Aquilo foi só a deixa pra ele seguir me lambendo até lá, se posicionou entre minhas pernas e passou a língua do meu rabo até minha vagina, depois se concentrou nela e me chupou divinamente, não aquelas chupadas toscas de sugar os grandes lábios, mas suave, com direito a mordidas leves nas “beirinhas”. Eu já estava arrancando meus cabelos, mas puxei os dele para que voltasse pra cima de mim, fiz com que me enfiasse seu pau mediano, porém grosso. Durante a penetração, ele colocou seu dedo em minha boca e me mandou chupar como eu faria logo mais no cacete dele. Caprichei claro, lhe dei uma boa prévia. Ele parou um instante e mandei que continuasse.

– “Como é. Hum. Seu nome?”.

– “Ai!Aah! Ja…naína”.

– “Isso explica muita coisa…oooh!”

– “hahhaha o quê? Espera! Mais devagar!”.

– “Janaína, sereia do mar, coisa parecida. Não lembro. Iiiiisso, rebola assim. O meu é…uuii…Lucas.”

Isso aí, meu caro. Era o maldito Lucas que me fodia gostoso daquele jeito, e desde a nossa primeira vez, a dupla oral e anal se harmonizava nas nossas transas. Saí debaixo dele e fui me engasgar com seu pau em um meia nove. Fiz muito melhor do que fiz em seu dedo e ele retribuiu bem, me deixando bem melada a ponto que eu me sentisse segura para me afastar e me sentar no seu cacete de costas pra ele, a imagem que ele tinha era do meu bumbum subindo e descendo, seu pau penetrando meu cuzinho e a lua iluminando o grande par de asas desenhado nas minhas costas que ia dos ombros até minha bunda. Com a força que ele segurava meu quadril, controlando o ritmo da penetração, os gemidos que ele dava quando eu arranhava suas coxas e fazia a “bezerra” morder seu pau, dava uma estranha sensação de que eu iria bater aquelas asas e voar, gozamos, mas não voei literalmente.

Depois de vê-lo exausto, caminhei em direção ao rio para mergulhar, o sol ainda demoraria pra nascer.

– “Você vai mergulhar agora? Está escuro.”

– “Mas eu posso. Sou Janaína, filha de Oxun.” – E meu corpo nu com asas, adentraram o rio na madrugada enluarada.

No festival desse ano não tinha o Lucas, e nesses anos que se passaram, nesse envolvimento doentio que tivemos, olho pro meu passado e olho pro retrovisor da Harley Davidson e vejo que o Lucas é hoje, o canalha que criei segundo à minha imagem e semelhança.

– FIM –

O personagem tal de Lucas, já tem história em contos anteriores. Para saber sobre ele, leia: Conto erótico: A noite quente de Janaina. (+18).

Bella Carvalho
Aspirante à tantas coisas foi cursar museologia, contista em horas vagas e de insônias. Ainda não sabe se é só de zoeiras ou da vibe do amor, mas de uma coisa essa morena tem certeza, entre o nascer e o morrer, aproveitemos os carnavais e bacanais. Fale com ela pelo e-mail: bella@derepente.blog.br