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Eu parabenizei uma amiga, ontem à noite em um jantar, quando ela me contou do pedido de casamento feito pelo namorado com quem está junta há um ano e meio. Foi grosseira a maneira como as demais amigas se entreolharam estranhando a minha reação. Eu sei que na verdade o que elas esperavam de mim era uma negativa, que eu ficasse horrorizada e dissesse que ser solteira é o esquema. Na real, eu entendo que as pessoas precisem de alguém pra dividir o lar, os livros, os CD’s – eu ainda tenho CD’s, algum problema? – pra brigar por causa daquele quadro horrível que a mãe de um dos dois vai ficar extremamente magoada se não vê-lo na parede da sala de estar, entendo perfeitamente, juro. Ainda ouso dizer que talvez eu também tenha essa necessidade, talvez. A questão é que eu tenho outras coisas pra esconder, não me revelo por inteira, tenho medo, morro de medo de deixar alguém ser meu íntimo, quando se pergunta demais, eu me esquivo como um sabonete entre um casal se amando embaixo do chuveiro.

Nem todo carinha seria capaz de entender meus choros sem explicação na sacada do apartamento enquanto ouço Nora Jones e bebo Stella Artois. Me internaria na manhã seguinte, sem sombra de dúvidas. Mas olha, de verdade, eu fico feliz quando alguém próximo a mim tem essa capacidade de se dividir, de se doar, de deixar-se ser ajudada, só que esse julgamento que as pessoas têm de mim me faz refletir sobre mim mesma, sobre o que eu sou, que tipo de mulher sou, que sentimentos trago dentro de mim. Não que eu me importe com o que elas pensem de mim, foda-se, às vezes só quero me entender ou ser capaz de expor o que não me deixa dormir, saber se a Janaína devassa e louca é mesmo quem sou ou se é apenas uma capa para esconder uma Cinderela bem mulherzinha que eu não deixo aflorar, e mesmo que a essa altura a deixe vir à tona, causará sempre olhares duvidosos como os de ontem no jantar. Eita! Pra todos eu sou a puta surgida do inferno pra foder com tudo e todos. Não é bem assim (hahahaha).

Eu voltei para casa ontem com aquela porra me fritando o cérebro, tinha tanta prova pra corrigir, mas era puro perfeccionismo meu, eu tinha um feriadão pela frente, deveria estar cagando e caminhando pra trabalho. Mais uma vez a ideia de não deixar ninguém se aproximar de mim e me conhecer por inteira estava batucando na minha cabeça e me incomodava mais que uma torneira quebrada gotejando na pia da minha cozinha. Eu sempre tive essa coisa de levantar o máximo de muros que eu pudesse, de me esconder atrás do que fosse. No fundo, sob esse personagem de mulher bem resolvida exista alguém que tem medo de não ser aceita, de ser duramente questionada e julgada.  Isso atrapalhou desde sempre até mesmo os meus relacionamentos, com o Lucas então, nem se comenta. Sempre que ele vinha me perguntar sobre meu passado, sobre o motivo de eu não parar quieta na cama e ter tantos pesadelos, eu dava um jeito de me safar, isso quando não procurava um motivo pra brigar e ficar sem vê-lo até que eu quisesse transar outra vez, o que não demorava muitos dias ou horas. Ele deve ter se cansado disso, do meu total egoísmo e falta de confiança, deve ter sido frustrante passar tanto tempo tentando penetrar essa armadura que me lacra, mas embora eu não dividisse nada, eu gostava de me jogar nos braços daquele moleque mimado no fim do meu dia. Até aceitava dividir o meu sanduiche de atum e só, mas soltava sua mão quando eu fechava os olhos e me transportava pro meu mundinho particular ao som de Dido. Acho que eu era o homem da relação quando o ouvia oferecer uma porção de batatas fritas pelos meus pensamentos, sim, ele era um fofo e eu a escrota que estragou tudo. Mas enfim, nada dura para sempre, nem o universo é eterno, pelo menos não até agora, talvez apareça algum louco mais tarde e para ambos os casos prove o contrário.

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Eu sempre tive a mesa do bar por divã e os outros bêbados por colegas de grupo do “Perturbados Anônimos”, o garçom seria o nosso terapeuta. E ali contamos nossas experiências, sobre a minha complexidade de identidade, sobre o meu tesão por solidão e boemia, sobre a mulher do loiro barrigudinho que deu pro chefe dele, sobre o rapaz que quer sair do armário mas morre de medo dos pais, sobre a garota que está ficando com o professor de geografia – que também já peguei e não tiro a razão da garota, oh bundinha linda, meu Deus! – do rapaz que sonha em pegar a irmã adotiva. Aqui na mesa do bar, com pessoas nunca antes vistas, e que nem precisamos vê-las novamente, nos revelamos, elas levam muito de nós, deixam de si, nos dão lições, apenas querem ser ouvidas por alguém que não tem nenhum moral pra falar nada, pra não questionar nada. Acredito que muitas vezes meus confidentes de bar são mensageiros enviados por Baco pra me dizer que lá do Olimpo ele olha por mim e acena com sua taça de vinho na mão.

Um de seus mensageiros um dia foi o Alessandro, psicogato que bebia Budweiser enquanto eu morria de rir dos foras que o Luciano levava da garçonete novata, ele atormentou tanto a pobre moça que a venceu pelo cansaço, acabei ficando na mesa sozinha. Eu estava embriagadamente sensual quando o sujeito alto de olhos azuis puxou a cadeira sem cerimônia e perguntou se poderia se sentar comigo, “De modo algum”, respondi.

– Posso pedir uma Bud pra você?

– Não, obrigada. Eu estou tomando um whisky cowboy. Mas me conta, hoje está sendo a noite dos P.A’s, qual é o seu problema? – eu disse enquanto dava um gole generoso no meu copo de whisky.

-P.A’s, é?- ele falou em tom bastante lascivo, o que nos causou um ataque de risos espontâneos .

– Ora, seu pervertido! Hahahhaha são os Perturbados Anônimos. Hoje já me apareceu toda a sorte de gente com seus problemas de bar, histórias divertidíssimas, confesso. Você está aí sozinho, deve ter algo de bom pra contar. Ande!

– Eu até sei de alguns casos bem loucos, mas seria uma falta de ética profissional contá-los. Me chamo Alessandro, sou psicólogo, tenho meu consultório lá no Umarizal, mas moro aqui mesmo na Doca, naquele edifício ali. Muito prazer. – apontou para alguns andares acima do meu apartamento, notei quando me virei para observar para onde ele se referia.

– Ok, vizinho. Janaína Bastos, Doutora em história da arte.  Leciono em uma universidade no Guamá e presto serviços de curadoria em acervos particulares, moro dois andares abaixo do seu. Satisfação, o prazer vem depois. – gesticulei com a cabeça e dei mais um gole.

Ele me analisou por um bom tempo com seus olhos de água marinha, puxou um guardanapo que estava no centro da mesa, tirou uma caneta do bolso, anotou seu número de telefone, número do apartamento e me entregou.

-Infelizmente, infelizmente mesmo, não vou poder prolongar a conversa, mas eu espero que você me procure, em um momento em que você estiver mais disposta em ser ouvida, e se desarmar também.

– Já te falei que eu odeio psicólogos? – Sorri para ele.

– Porque você os acha íntimos demais, eu suponho. E você só revela poucas coisas entre um sussurro e outro – encostou a boca perto do meu ouvido – mas vamos trabalhar em cima disso, não se preocupe.

-Ai, doutor, não faça isso! – sorrimos enquanto ele se afastava e atravessava a rua.

Isso foi há dois anos, fui no seu apartamento dias depois com a cara mais lavada para discutir os tons de cinza da sua sala. Isso mesmo, falei pouco, transei muito, mas eu tenho certeza que ele absorve da minha mente mais do que eu possa supor. O Alessandro é o meu psicólogo desde então, ele me ouve, eu dou sexo e acabo sendo o seu objeto de estudo, creio que ele nunca vá encontrar alguém mais complexa que eu em toda a carreira dele. E ontem o necessitei mais do que nunca.

Já estava meio que alegre desde o jantar, cheguei em casa e abri a garrafa de vinho barato que eu e Luciano pegamos de um despacho na alça viária e bebi direto do gargalo. De short jeans, camisa gola canoa caída deixando um ombro aparente, cabelos molhados, pele exalando hidratante de romã, fui para o apartamento do Alessandro.

“They tried to make me go to rehab, but I said, No, no, no…”*  Entrei na sala cantarolando Amy Whinehouse , depois que ele abriu a porta todo sorridente. Eu acho tão bonitinho a forma como ele se diverte com as minhas leseiras.

– Acho que esse deve ser um legítimo “Tranca rua”, peguei um trânsito do cacete na BR ontem quando trazia isso lá da alça. Quer?

-Caramba! É o que eu estou pensando? – perguntou ele, gargalhando – Louca! Você é mesmo uma espécie para ser analisada a fundo, bem fundo. – disse isso me puxando pelo cós do jeans.

Abriu o primeiro botão, enfiou sua mão quente por dentro do short, sentiu minha calcinha de renda, a afastou, tocou meu clitóris, enfiou um pouco mais o dedo e o trouxe à boca para umedecê-lo, o enfiou de volta na minha buceta e ficou fazendo deliciosos movimentos circulares alternando com enfiadas leves no canal, a boca quente abria-se e envolvia o lóbulo da minha orelha, liberando sua língua macia para dentro do meu ouvido, o que eriçava todos os pelos da minha coxa, minhas unhas grandes e pintadas de vermelho, estavam cravadas no seu ombro largo e forte, a mão dele que se apoiava na minha cintura, ainda segurava o controle do aparelho de som, fez-me a gentileza de por minha canção favorita, Don’t know why, na voz de Norah Jones. Ficamos nos movendo pela sala em pequenos passos.

Depois de notar que eu já me encontrava inundada no meu tesão por ele, puxou a mão da minha vagina, mas dessa vez sorriu e a pôs na minha boca, tratei de deixa-la limpa, sugando bastante. Ele levantou minha blusa e a jogou no sofá, eu já estava sem sutiã, apenas os longos cabelos negros cobriam meus seios, ele os levou para trás de meus ombros, revelando meus peitos fartos de mamilos escuros, apertou um com uma mão e abocanhou o outro. Enterrei minha mão em seus cabelos, indicando que não parasse de chupar, enquanto com a outra mão, eu mesma me masturbava, algo que tenho muita prática, quase que um doutorado. Ele se sentou no sofá, e eu fui me balançando no ritmo da música para tirar o short e joguei para ele que tentou aparar com a boca, mas sem sucesso. Veio mais para a beirada do sofá e me puxou para si, roçou a ponta do nariz na tira fina de pelos pubianos e passou a língua no inicio da abertura da vagina, procurando com a ponta dela, meu clitóris. Levantou uma de minhas pernas e me fez apoiá-la na sua coxa, abriu com as mãos minha boceta e a chupou com vontade, em movimentos circulares que se alternavam com longas lambidas bem úmidas. A mão grande que deslizava pela minha coxa, apalpava a minha bunda com toda a força e aos poucos deixava o dedo médio penetrar meu cu que de tanto tesão estava perfeitamente relaxado e conivente com a investida. Me contorci. Ele sabia o que fazia.

Olhando para baixo, meus cabelos cobriam seu rosto, minha mão ainda agarrada à sua cabeça, controlava o ritmo do oral, ele parou depois de ver minha perna trêmula após o gozo. Encostou no sofá para que eu pudesse sentar em seu colo, obviamente ele esperava que eu penetrasse seu pau em minha vagina, mas olhei em seus olhos com certa malicia e parti para o sexo anal. Me encaixei em cima dele e comecei a mexer o quadril em movimentos circulares e depois passei a subir e descer, logo ele estava segurando meu traseiro para controlar o ritmo que as coisas iam, mas depois não pode mais, à medida que eu acelerava em cima de seu cacete, eu estava ali não apenas para aliviar minhas tensões hormonais, mas para exorcizar meus demônios, que não eram poucos, enquanto eu cavalgava em cima dele. Seus braços me envolviam pela cintura, segurando com força, na tentativa inútil de me domar, nossos corpos suavam nessa briga de quem- manda- em- quem. Do rosto escorriam suor e lágrimas quando por fim, o disse que eu só era assim por que ninguém suspeitaria que uma mulher tão indomável quanto eu, um dia tivesse necessitado de socorro, mesmo sem compreender. “As pessoas crescem com traumas”, falei pra ele em meio às estocadas que dava no seu membro latejante, “Eu preferi adotar a capa do não aconteceu e incorporei o personagem menos suspeito”  Parei de quicar quando vi que ele se contorcia, depois de ter esporrado todo o meu traseiro.

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Ficamos testa a testa, sôfregos, retomando o fôlego. “Eu não escolhi ser assim, apenas não quis ser a pobre menininha, mais um caso na estatística de famílias desequilibradas. A que deveria crescer com medo do mundo, pelo contrário, eu quis me livrar do medo e encará-lo de frente e mostrar que isso entre minhas pernas é meu e quem manda sou eu”.  Ele beijou minha boca sorrindo: “Beijo é muito íntimo, eu já sei. Só me pergunto por que eu não busquei antes uma garrafa de vinho do despacho pra você finalmente abrir  a boca e falar o que eu sempre soube”.  Rimos muito enquanto ele ainda beijava meu corpo suado e me colocava sobre o tapete, afastava minhas pernas e esfregava-se em mim fazendo seu pau despertar novamente, eu estava me sentindo liberta de todo e qualquer pudor e culpa, abri o que pude as minhas pernas e deixei que ele me invadisse, eu estava possuída por aquele homem viril que há pouco estuprara minha mente de uma forma tal qual eu não imaginava permitir.

Ele por cima de mim, me estocava freneticamente e eu movimentava os quadris conforme o seu movimento, ele demorou para gozar novamente, deixando que eu chegasse ao orgasmo mais uma vez, antes de me virar de costas e me por apoiada sobre um travesseiro que levantava um pouco meu bumbum e facilitava a penetração por trás, seu cacete bem encaixado entre meu traseiro começou uma nova sequência de bombadas, onde eu ficava cada vez mais inclinada com os puxões de cabelo sem dó que ele dava em mim, pedi que me batesse e ele obedeceu,  exigia mais força toda vez que sentia aquela palma grande estalar na minha bunda, depois de tantas penetradas vigorosas eu gozei mais uma vez. Levantei, me vesti, disse que tomaria um banho em casa mesmo, olhei seu armário, sorri com ar angelical e pidão e disse:

– Se importa?

Ele fez que não com a cabeça. Então sai rebolando e balançando os cabelos com sua garrafa de Bourbon Evan Williams na mão.

– Até a próxima sessão, doutor!

*Tentaram me mandar para a reabilitação, mas eu disse “não, não, não”.

Bella Carvalho
Aspirante à tantas coisas foi cursar museologia, contista em horas vagas e de insônias. Ainda não sabe se é só de zoeiras ou da vibe do amor, mas de uma coisa essa morena tem certeza, entre o nascer e o morrer, aproveitemos os carnavais e bacanais. Fale com ela pelo e-mail: bella@derepente.blog.br