Hoje eu estava vendo um filme que gosto muito, NOME PRÓPRIO, esse filme me faz lembrar de mim mesma às vezes, não sou tão inconsequente quanto a personagem dele, mas temos a mesma capacidade de nos dar mal nos relacionamentos, de nos doar a pequenos momentos que eternizamos, criamos caras ideais, um amor intenso que só existe em nossa cabeça. Não é de se admirar que nós duas, eu e Camila, falemos para um cara “Porra! E tudo o que vivemos, não conta?” e a pessoa fique boiando, se perguntando “Tudo o quê?”, seguindo a lógica de que o “tudo” se resume a só nós conhecemos e vimos, sendo que nós o idealizamos.

tumblr_mdrrxldh9i1ra2rv8o1_500Sabe, não é o primeiro cara que te fode que se torna o inesquecível na sua vida, é o primeiro que fode os teus sentimentos que realmente é. A partir dele ou você segue em frente acreditando que o príncipe encantado uma hora vai aparecer e vocês vão se casar e viverem felizes para sempre ou fará como eu, que simplesmente parei de acreditar que ele venha, ou passei a acreditar que eu mesma sou o meu príncipe.
Na vera, foram dois, que com os quais aprendi o significado de duas coisas distintas, amor e paixão, não necessariamente nessa ordem.

Eu era tão boba, acreditava e levava a sério piamente essas regras que as mulheres inventaram para namorar alguém, coisas do tipo: se faça de difícil, não dê no primeiro encontro (essa eu tentei, mas não rolou), não atenda de imediato ao telefone, finja desinteresse… o que tinha pra fazer eu fazia. Mas na boa, com caras mais velhos e experientes isso não cola, foi aí que eu quebrei a cara, a minha “paixão” tinha uma bagagem e tanto de relacionamentos, manjava de todos esses nhem nhem nhens de mulherzinhas.

Nossos primeiros encontros foram ótimos, nossa primeira vez foi com aquela desculpa esfarrapada de “só vamos ver um filme, não vamos fazer nada que você não queira”, bem, mas eu quis, esse é meu mal, eu sempre quero e pra homens machistas como aquele isso te classifica automaticamente como não namorável. Homens (alguns homens, a maioria dos homens, salvo poucos) são algo difícil de se entender, querem uma mulher, mas não mais inteligente do que eles, querem uma mulher bonita e recatada pra apresentar para os amigos, querem uma mulher putona na cama, querem uma mulher que batalhe pelo seu próprio dinheiro, mas que não ganhe mais que ele, e se acham tudo isso em uma mulher só, não serve, e aquelas que extrapolam esses quesitos os incomodam. Bem, eu ainda estava em formação de realmente entender que tipo de mulher eu era, ainda era tola indefinida, a romântica (ainda sou às vezes, não nego). O fato, meus amigos, é que de fato eu me apaixonei por essa pessoa, que foi aquele cafajeste crucial que toda mulher teve, tem ou vai ter na sua vida, não adianta, ele é essencial, é com ele que nós aprendemos (ou não) o sentido de amor próprio, do eu me basto, do desapego, toda essa ladainha que os livros de auto ajuda, que eu li vários, não resolvem.

Pra começo de conversa ele era um crente, acredite, quando eu discordo de várias coisas de igrejas neopentecostais não é por vingancinha, foi só uma infeliz coincidência. No começo ele queria me moldar, nada mais de roupas curtas, nada de palavrões e nada de comentar com as amigas minha vida sentimental porque “o diabo usa das suas amigas para plantar discórdia no relacionamento”, filho da puta, o que ele não me falava era que ele dava em cima e comia algumas delas. Olha, mas essas foram lições que eu realmente absorvi, quer ser feliz, seja feliz em segredo, e quem come quieto, come mais e melhor. Eu virei praticamente uma escarava emocional dele, fazia tudo o que ele queria, só photo_woman_reflecting_vintagepra ter um resquício que fosse de afeto, era pessoa carente demais de afeto, sem falar que o sexo dele era sim maravilhoso. Uma “ex” dele uma vez invadiu a casa dele e quebrou tudo, deixou um recado avisando que não foi um ladrão, mas sim ela quando soube de nós, eu achei uma louca, neurótica, hoje eu a compreendo perfeitamente, por vezes eu quis fazer a mesma coisa, hoje tenho por ela profunda admiração, se ela tivesse seguido o mesmo curso que eu na vida, a chamaria para conversarmos em uma mesa de bar, mas ela é do tipo que foi constituir família depois de curar a paixão.

Homens assim, uma hora se cansam de ter uma marionete, sabiam? E só o sexo, mesmo que seja bom, não é mais o suficiente para manter uma relação, então eles te despacham e procuram outra, mas o porém é que não é de uma forma direta, eles se afastam aos poucos e te mantém no armário, caso a outra não seja o que ele esperava, ele continua com você. É nesse momento que você, a apaixonada e escrava emocional e sexual, começa a se desesperar sem saber o que foi que você fez de errado pra ele estar agindo assim, sendo que vocês fazem sexo acrobata todos os dias. Porra! Qual o problema desse cara? Hahahha, nunca que eu falaria isso ou sequer pensava, meu desejo era agradá-lo pra ter seu sexo e ponto, do meio pro fim eu já não me importava mais comigo mesmo, era uma viciada nele, e o buscava da maneira que eu achasse viável ou até não, tomava cuidado com o que eu falava, para não aborrecê-lo, e mesmo quando terminávamos, eu evitava conhecer outras pessoas temendo que ele soubesse e não me quisesse mais e quando a gente voltava parecia que o sexo de reconciliação era melhor ainda, eu dava todos os buracos do meu corpo, em todas as posições, em todos os cantos da casa e fora dela, na minha cabeça aquilo tinha que ser intenso pra ele não mais me deixar, o máximo que durava era uma semana, logo ele achava um pretexto pra gente separar, como último recurso uma vez eu resolvi virar crente, meu tiro saiu pela culatra porque com base nisso ele disse que não poderíamos mais transar porque agora eu era uma serva de Deus e tinha que santificar meu corpo. Aff! Isso não colou pra mim, o aticei até que ele não aguentou, aí lá vai eu por em prática todas as posições do Kama Sutra que eu tinha decorado justamente para aquela volta, mas no fundo eu sabia que era só mais um sexo e não uma reconciliação e a partir do momento que eu passasse pela sua porta eu seria esquecida.

Faltei e o fiz faltar dois dias de trabalho, transamos como nunca, assistimos filmes, rimos, comemos bobagens, eu chorava calada pra ele não me escutar porque eu sabia que não teria mais e assim aconteceu, quando fui para minha casa passamos semanas sem nos falarmos e quando eu queria me acostumar, talvez ele não se desse muito bem com a novata e voltava a me procurar e a otária ia porque eu não tinha um pingo de respeito por mim mesma, e mais uma vez eu tinha que passar por todo aquele processo de volta, briga e separa. Nesse jogo de pingue-pongue por duas vezes eu o peguei com outra, na primeira vez só dei meia volta fui pra casa chorando, na segunda eu já tinha perdido “um pouco” o medo de não voltarmos e o esmurrei tanto que fiquei dolorida, isso foi o de menos, porque o batia no corpo, até que em um momento dei-lhe um tapa seguro no rosto (nunca faça isso em um homem que realmente se veste de homem, ele vai reunir todas as forças pra não te bater) e quando vi seu olhar de fúria, fiquei com medo que ele me devolvesse e eu, a traída, comecei a pedir desculpas, esqueci completamente o motivo que me fez fazer aquilo, voltei mais uma vez pra casa chorando.

Lembro que telefonei 57 vezes seguidas pra ele, chorei de nove da noite até às cinco da manhã, momento em que eu deveria ir para o trabalho, e fui, com o rosto inchado de tanto choro. Antes desse eu episódio, algumas vezes eu pulei a cerca da sua casa e o esperei no quintal, a gente discutia, se entendia, brigava de novo e transava embaixo de uma mangueira que tinha lá. Depois do tapa que lhe dei, passei lá em frente outra vez um mês depois e já não era maisbeach-enfant-girl-lake-reflect-Favim.com-181681 cerca, era um muro alto. É, dessa vez acabou, pensei e ainda lembrei daquela ex que quebrou tudo, agora eu entendia seus motivos. E se passaram dias, meses, um ano e fui aprendendo a gostar de mim, a me dar valor, vi que não adianta você mudar por alguém porque não vai adiantar nada se ela não gostar de você, e irônico é que ele mesmo me dizia que eu deveria me dar valor, a me amar primeiro, a crescer como mulher. Hoje não me privo de transar com alguém no primeiro encontro se rolar uma química, se ele achar errado isso é porque sou mulher demais pra esse alguém me dominar, não entrego meu amor pra qualquer um que transe legal, isso é o mínimo que ele deve saber pra merecer minha atenção, hoje penso que antes de você, sou eu primeiro, não me importo se estou acima do peso e você vai se incomodar, não estou nem aí se eu falar um foda-se e você vai se assustar, não faço mais tipo, se a mulher que você vê te agrada, beleza, se não, problema seu, estou muito bem assim, obrigada. E sabe o cara? Quando sabe que estou voltando à cidade (eu meti o pé pra superar), me liga e me pergunta se vou dormir lá, eu fico calada, sorriu comigo mesma e fico imaginando quem está passando pela lição de vida dessa vez e digo que dispenso, a gente sorri, ele me dá boa noite, eu retribuo e desligo. E fico feliz por saber que estou em um nível tão alto que me permito ser amiga dessa pessoa que tanto me fez chorar e dou a ele o reconhecimento por ter sido tão importante na transformação nessa mulher que sou hoje, que pula não mais cercas, mas obstáculos que me levem a ser ainda melhor.

Bella Carvalho

Aspirante à tantas coisas foi cursar museologia, contista em horas vagas e de insônias. Ainda não sabe se é só de zoeiras ou da vibe do amor, mas de uma coisa essa morena tem certeza, entre o nascer e o morrer, aproveitemos os carnavais e bacanais.

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