Este final de semana fiquei sabendo que o meu melhor amigo além de casar, está prestes a se mudar com a noiva para o canto dele e até que fim, deixar de enrolar a moça e entrar de maneira clara em união estável. Esta notícia me lembrou que sou basicamente o único cara da galera velha guarda solteirão e/ou sem filhos (o que me deixa muito feliz e satisfeito). Não pude deixar de ser tomado por um sentimento nostálgico e relembrar todas as bandalheiras, barcas e ondas que a minha galera do rock e longas madrugadas e barcas armou ao longo dos anos. Lembrei de uma história bem específica e quero compartilhar com vocês.

Em meados de 2007, eu e um amigo que cresceu junto comigo, que era amplamente conhecido por ser travado com garotas e ter dificuldades em se relacionar por se apaixonar com muita facilidade, estávamos na casa de um outro grande amigo que infelizmente não está mais entre nós (saudades de você amigo Biscoito), tocando o terror com biritas, garotas e rock. Aquela fase da vida da gente em que somos vagabundos sabe? O Maroquinha, apelido desse meu amigo que era um tanto tímido, estava ficando há algumas barcas com uma garota que iremos chamar de “Rafaela”, e toda farrinha da galera eles se trancavam e algum lugar e transavam.

Eu já estava de boa no sofá da sala, tomando a minha catuaba Duelo (sim, e é a minha bebida favorita até hoje) quando ele me aparece gritando pela casa assustado: “Metal! Metal! Cara eu perdi a camisinha!”. Metal era o meu apelido na galera, já que essa foi a minha fase mais “true” do heavy metal. Achei engraçado um moleque languiça me aparecer quase pelado gritando tal coisa. Perguntei: “Como assim Maroquinha? Tu tava transando com a Rafa e ai tu largou a camisinha em algum lugar e esqueceu onde deixou e tá com medo de que quando os pais do cara varem ai, eles encontrem?”. Ele me explicou que estava transando com a menina, até que em um dado momento simplesmente se deu conta de que a camisinha não estava mais onde deveria. Como assim? mágica? Como pode alguém fazer uma camisinha sumir do nada! Durante o coito! Sim amigos, tem gente que consegue.

Logo fiquei raciocinando e me toquei de que ele conseguiu “perder” a camisinha dentro da garota. A ideia que me veio em mente: puta que pariu, caralho e porra! Não cara realiza, você coloca a camisinha, começa a penetrar e em dado momento ela sai do boneco e tu empurra ela sabe lá pra qual parte do canal vaginal. Claro que perguntei se ele tinha gozado e ele disse que sim. Como um homem já experiente em sustos destes naquela época, catei ele e corri pra uma Big Bem ali na Cidade Nova 8, já que era bem perto e comprei um comprimido do dia seguinte, mas antes verifiquei com a “Rafa” se ela tomava anticoncepcional. Ela não tomava pois tinha começado nessa vida de barca recentemente e parceiro, nem se faça de louco de dar Dia D para uma garota que toma anticoncepcional, pois estes comprimidos são bombas hormonais terríveis.

Este meu amigo ficou dias a fio sofrendo, preocupado se a garota poderia ter ficado grávida ou não, já pensava em arrumar um emprego, em vender as coisas e etc… Aquele desespero que todos nós sabemos como é (risos). No dia seguinte a barca, a camisinha apareceu enquanto a “Rafa” estava no banheiro e o resultado da história foi que ela não ficou grávida, acredito que graças ao comprimido Dia D.

Imagine você o que é perder uma camisinha dentro de uma prexereca. Eu sei que você pensou o mesmo que eu na hora: Porra doido o teu pau deve ser muito pequeno ou fino. Se foi isso ou não, nunca saberemos. O certo é que Maroquinha hoje mora no interior do Pará, levou sua herança de barca para lá e no primeiro mês em que foi para a cidade, engravidou uma garota e já tem uns dois filhos. Bem, eu tentei ser um bom professor na arte da bandalheira mas não deu.

Você deve ter lido esta memória como algo cômico e engraçado e realmente é, mas para mim este texto não é somente sobre nostalgia e piada, é sobre amizade e sobre como o tempo passa e momentos que temos em nossas vidas que nunca vão volta, pessoas que vão se distanciar e como se deve aproveitar e ser feliz no hoje. Tenho muitas histórias para compartilhar com vocês. Estava com saudades de escrever neste blog.

Acauã Pyatã
Na maior parte do tempo: publicitário e blogueiro, nas raras horas vagas um tremendo vadio de skate e desocupado no Insta. Insurgente, divergente e procrastinador. O tipinho de cara que escolheu morrer de pé ao ter que (sobre)viver de joelhos, alguém que escolheu ser a navalha ao invés da carne, um homem que absolutamente não é obrigado a nada, entendeu? N-A-D-A. Um maldito índio moderno em uma arcaica selva de pedra que um dia haverá de cair. Mas não agora, não mesmo. Fale com ele pelo e-mail: diego@derepente.blog.br