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Semana passada apareceu uma história curiosa e interessante: uma brothinha articulou o encontro com um guri que precisava desabafar e conversar com outro cara, segundo estes mais ‘mente aberta’ (não sei o que eles entendem por ‘mente aberta’). Segue a história do garoto:

Tem um tempinho que ele foi em um cinema aqui de Belém no final de semana com a namorada ver um filme, segundo ele em 3D, que usa aqueles óculos que incomodam e te atrapalham de namorar no cinema (huahau é verdade). Ele disse que em dado momento do filme, estava segurando a mão da namorada, e ao ajeitar o óculo na cara se tocou de que o cara que estava na outra poltrona do lado dela estava com o braço muito encostado. Dado está constatação, o mesmo ficou ligeiro e vez ou outra ‘ajeitava’ o óculo para espiar pelo canto do olho discretamente. Ele disse que viu o cara passando os dedos na mão dela. Disse que ficou puto mas não fez nada por não ser de briga e esperou ela reclamar e tirar o braço. No começo ela arredava a mão, mas depois deixou o toque e pior, até colocou a mão mais perto da dele e começaram algo que eu entendi como um ‘flerte de dedos’.

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Ele disse que ficou o filme todo sem saber o que fazer, na hora da saída ele puxou ela rápido para o outro lado e foram. Este relata que para a praça de alimentação e o cara sumiu. Na hora de ir embora disk ele foi ao banheiro e ela ficou esperando ele perto da entrada, quando ele sai, quem estava perto dela? O cara e outro amigo dele, a mina com algo que entendi como um sorriso de canto de boca meio sem graça e os dois com cara cínica, com o garanhão mexendo no telefone.

Para fechar: ele disse que nas últimas três semanas não parava de pensar nisso de dia e de noite, começou a perceber ela rindo de mais no telefone, sumindo alguns momentos em pelos dias e meio ‘deslocada’ no relacionamento. Ele ainda relatou que fica assombrado pensando um monte de coisas (aquelas paranoicas de cara que acha que é corno saca?) do tipo: imaginar que ela tá se encontrando com o outro cara, fica sendo tomado por pensamentos com ela sendo pega e comida pelo cara, se entregando e etc… Tipo o que acontece com os protagonistas dos filmes ‘De Olhos Bem Fechados’ (1998) e ‘Proposta Indecente’ (1993).

Eu perguntei se esses pensamentos, essas ideias na cabeça dele causavam raiva/repulsa ou agradavam. Ele disse que no começo dava raiva, agora não sabia se as duas coisas. O mesmo disse que não conversou com ela sobre pois sabe que ela negará até a morte.

Na oportunidade dessa conversa, eu falei o que pensava de maneira rasa pois é uma questão tão fechada ao indivíduo que é quem pensa e sente. Por não ser especialista, terapeuta, sexólogo nem ter tantas experiências de ‘mente aberta’ assim, me permiti pedir um tempo para pensar e escrever um texto no blog caso ele concordasse. Topou desde que eu não o identificasse, nem tem como pois não perguntei o nome, idade, de onde veio e pra onde vai. O que mais me deixou pensativo foi a pergunta: ‘o que você teria feito no meu lugar?’, além de outras.

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É difícil dizer o que você faria no lugar da pessoa em uma situação deste tipo, pois por mais que você tente se colocar no lugar, a sua tendência sempre será responder com base na sua personalidade. Embora eu seja um cara extremamente aberto a dialogar sobre coisas novas e experiências dentro de relacionamentos, sejam eles do tipo que forem, ter a mente aberta não significa que meus relacionamentos (repito: sejam de qualquer tipo) sejam avacalhados. Até os mais bagunçados, são ‘bagunças organizadas’. A minha mente é zuada mas meus relacionamentos não. Então no lugar garoto, no momento em que eu percebesse a situação, de duas uma (sendo que em ambas eu ficaria puto): Ela está incomodada – convidaria ela a trocar de poltrona comigo, sentaria do lado do cara, olharia para ele e com cara de ‘mano vaza ou a merda vai agarrar’, ou se ela retribuindo – educadamente iria falar ao ouvido dela que vou deixar ela mais à vontade com o novo amigo dela, iria embora e que dois se explodam para lá e que ela nem olhasse mais para minha cara durante um bom tempo, mas depois a amizade continua (risos). Mas esse sou eu, um FDP nato.

Essa história toda é meio estranha e achei um tanto mal contada, não podendo evitar ser assaltado pela possibilidade de que ele pensa que viu algo e está tramando altas paranoias e precisa da ajuda de um especialista, ou que nada disso ocorreu e ele está tendo esse tipo de pensamento quanto a namorada e a mente dele está forçando a realidade pra dar uma explicação plausível para isso, em virtude do choque moral que pode estar ocorrendo.

Assumindo que o relatado é verdade ao menos em grande parte, acho interessante se deter no fato de que naquele momento ele não sabia se os sentimentos de raiva e medo se misturavam com o de prazer. É fato que muitas pessoas, tanto homens como mulheres, gostam e sentem prazer em imaginar o parceiro ou parceira em situações de prazer sexual com outras pessoas. É um tipo de fetiche que geralmente se detém somente no ato de imaginar e sentir prazer com isso, o que resulta em motivo para masturbação por exemplo, mas é grandemente refutado por questões morais constituindo um conflito interno pessoal. Acontece que em alguns momentos, o ato de imaginar rompe o medo e a configuração moral que nos é dado e acaba se tornando curiosidade, algo que sabemos que se tratando de sexo, te coloca em uma linha tênue quanto ao se conter e ficar na curiosidade ou experimentar.

VoyeurismoÉ a partir desta curiosidade e sentimento que nasce uma prática chamada de voyeurismo, que é o ato de apreciar outra(as) pessoas nuas, se despindo ou até mesmo em atos sexuais, obtendo através desta contemplação prazer sexual. Existem casais que adotam o voyeurismo como prática na relação, onde o homem gosta de observar a esposa mantendo relações com outro(s) homens ou vice-versa. Normalmente quanto mais intenso o prazer observado, maior a excitação do voyeur. Claro que existem pessoas que obtém a mesma experiência sem envolver os seus pares, apenas observando pessoas desconhecidas por exemplo, é o prazer obtido através do prazer alheio.

Curioso não é mesmo? Você já teve este tipo de curiosidade? Já ficou excitado(a) imaginando a pessoa que é alvo do seu afeto com outra pessoa fazendo sexo? Ou quem sabe tenha curiosidade de experimentar? Conta pra gente utilizando um pseudônimo ai nos comentários. Assumindo o que foi dito pelo garoto na situação relatada, acredito piamente que existem boas chances de quem sabe não agora, mas em breve ele se assumir e entregar ao fetiche e prazer do voyeurismo. É isso ai amigo, cada um com a sua vibe.

Acauã Pyatã
Na maior parte do tempo: publicitário e blogueiro, nas raras horas vagas um tremendo vadio de skate e desocupado no Insta. Insurgente, divergente e procrastinador. O tipinho de cara que escolheu morrer de pé ao ter que (sobre)viver de joelhos, alguém que escolheu ser a navalha ao invés da carne, um homem que absolutamente não é obrigado a nada, entendeu? N-A-D-A. Um maldito índio moderno em uma arcaica selva de pedra que um dia haverá de cair. Mas não agora, não mesmo. Fale com ele pelo e-mail: diego@derepente.blog.br