Dela para eles por: Elva.

Há quem se assuste em ouvir duas amigas conversando desse jeito. Mas o fato é que muitas mulheres pensam assim. Seriam elas todas vadias? Claro que não. As mulheres finalmente se ligaram que a vida não é um filme da Disney, onde o objetivo de vida das princesas é casar com um príncipe encantado. Isso é o que pode explicar o fato de que a cada década que passa, as mulheres casam e têm filhos cada vez mais tarde. Existe uma vida toda a ser aproveitada antes disso, várias experiências a serem vivenciadas. Dar um foco geral no trabalho e nos estudos, constituir uma carreira, sair com um monte de amigas, beber tequila, fazer intercâmbio, ter uma amizade colorida… E os afazeres dessa modernidade tão cheia de possibilidades abre espaço para um pensamento mais liberal e até mais igualitário.

Ainda assim a gente vive cercada pelo machismo. Sim, porque mulher deveria ser dar valor. Deve estar sempre bem vestida, não pode falar palavrão e tem que levar os relacionamentos a sério. Enquanto isso, soa tão natural que os homens vão sair por ai para “pegar mulher”. Que os amigos se reúnam para beber em um puteiro. Mulher não pode fazer isso, senão é vadia. No meu círculo de amizades, meus amigos estão casando, tendo filhos. Bem normal para uma pessoa de quase 30. É o que muitas famílias esperam: ver a filha entrando no altar, dando cria. Mas existe uma outra parcela nesse jogo: mulheres que não tem essa pretensão, pelo menos não agora.

Foi-se o tempo em que mulher que não queria casamento era taxada de “ficou pra titia” e ficava chateada com isso. E enquanto uma parcela desses amigos postam as fotos dos filhos, algumas amigas exibem viagens para o exterior, mensagens sobre promoção de emprego, fotos em bares da vida e bebidas exóticas. Essas mulheres estão mais preocupadas em aproveitar o que a vida tem para oferecer. Aproveitar o que a vida tem a oferecer também inclui sexualidade. Aproveitar a fluidez das relações. Tipo conhecer um carinha no Tinder e se encontrar com ele. Tipo pegar um boy na balada e dar o telefone errado para que ele não ligue e nem adicione o whatsapp. Tipo beber vodca, ir ao apartamento de um casal e na mesma madrugada acontecer um menage. Tipo resolver dar chance para outra mulher para ver qual é.

Qual o valor a mulher está se dando quando se aventura desse jeito? Todo! Sim, porque essa mulher paga as contas em dia e não quer um relacionamento sério e duradouro porque consome tempo e energia. Ai ela aproveita. Não há problema nisso. Enquanto isso tem gente que fica de cabelo em pé ao descobrir que uma mulher tem um vibrador. Sim, elas tem. E adoram. Porque o vibrador não enche o saco, não pede telefone e nem tem ejaculação precoce. Não vai ficar com nojinho se a mulher não estiver depilada e se ele falhar, é só trocar a pilha. Simplesmente prático.  Antes que imaginem, essas moças não estão com medo de relacionamento, nem todas acham que homem não presta e por isso escorrega das mãos de todo e qualquer um que aparece.

Elas estão em outro momento, que deve ser respeitado. Elas descobriram que são livres. Elas descobriram o próprio corpo. Têm uma carreira e sonhos em que só tem passagem para elas e ninguém mais. Legal para os caras que sabem disso, respeitam e dão o mesmo valor que elas dão para o que elas conseguiram. Porque essas mulheres não querem dependência de nenhuma das partes, elas querem alguém parceiro para somar. E ainda há conservadores para dizer que mulher assim não é pra casar. De fato, não é. Não agora. Não com eles.

 Ele só quer me comer? E dai? Eu só quero dar.

Quem é ela? Ela é ELVA

elva

Libertária e muito bem resolvida com seus 28 anos. Adora filosofia de boteco, música pra dançar sozinha, lhamas e livros sobre cultura contemporânea. Siga @elvavieira no Twitter.

Acauã Pyatã
Na maior parte do tempo: publicitário e blogueiro, nas raras horas vagas um tremendo vadio de skate e desocupado no Insta. Insurgente, divergente e procrastinador. O tipinho de cara que escolheu morrer de pé ao ter que (sobre)viver de joelhos, alguém que escolheu ser a navalha ao invés da carne, um homem que absolutamente não é obrigado a nada, entendeu? N-A-D-A. Um maldito índio moderno em uma arcaica selva de pedra que um dia haverá de cair. Mas não agora, não mesmo. Fale com ele pelo e-mail: diego@derepente.blog.br