Para todos os brodinhos que estão começando nessa vida de boêmia, da qual já estou “baldeado”, costumo dizer que a melhor escola e os(as) melhores professores(as) estão no boteco. O boteco é um ecossistema dinâmico e sinérgico que reúne os mais variados tipos de pessoas, com intenções diferentes, motivos diferentes, histórias diferentes e um banquete para o campo antropossocial da vida masculina.

Nesta sexta-feira, antes de encontrar uma amiga, encostei no meu boteco favorito e lá sentado brincando com os meus bonecos do Luigi e do Toad ( ele estava bêbado), não pude deixar de notar dois caras que chegaram praticamente junto comigo mas que não estavam de boa, estavam dispostos a caçar. Aparentemente eles tinham acabado de sair do trabalho assim como eu.

Nós homens somos figuras e seres curiosos. Um homem sozinho normalmente é contido quanto a mulheres, pode olhar, tentar paquerar discretamente, mas quando dois se juntam e possuem o impeto do macho alpha, a coisa começa a desandar e desta vez não foi diferente. Homens quando juntos sentem a necessidade de ratificar a condição hetero, olhando para garotas como se as fossem engolir, aplicando cantadas escrotas e fazendo comentários audíveis para que os demais homens contemplem a sua “macheza” em todo o seu responder babaca, em um ritual patético de auto afirmação masculina, assim como os machos animais fazem na natureza, batendo chifre um com os outros pra saber quem comanda a parada. Mas saibam, dizem algumas garotas boêmias experientes que caras assim fodem mal pra cacete. Mas este não é o assunto de hoje.

Na outra ponta do bar estava um rapaz homossexual, ao melhor estilo bicha (não de maneira pejorativa, mas bicha no sentido de ser aqueles homossexuais espalhafatosos e purpurinos), muito bem acompanhado de duas amigas que francamente também me chamaram a atenção por serem duas mulheres lindas na faixa dos 35/40 anos avaliei. Aliás, todo homossexual sempre está bem guarnecido de companhias femininas e é ai que mora o perigo. Os dois machões “comedores das galáxias” também notaram as amigas dele e ai começou um ritual divertido de paquera. Elas aparentemente estavam de boa e não tão interessadas até que pude perceber que o rapaz e as duas começaram a se olhar e comentar algo, em seguida indo na direção dos dois “pica de ouro”. Sim, alguns iriam amargar a dor na carteira enquanto outras iriam beber sem gastar um puto.

Conversa vai e conversa vem, os dois “garanhões” ficaram chapados, dando showzinho e o rapaz com as suas amigas claro, achando tudo muito divertido e bebendo. Um dos dois em um lapso de consciência percebeu que aquela noite não iria acabar com uma bela foda para eles e que na verdade os enrrabados (na grana) seriam eles e resolveu puxar o outro amigo para ir embora. O amigo dele estava tão louco que se agarrou com uma das garotas e disse que só ia se ela fosse (eu me segurei, mas olhei para a esposa do dono do bar e em uma troca de sorrisos dissemos em pensamento um para o outro: esse ai é muito otário mesmo). A garota disse: “eu só vou se o meu amigo for”. Resultado, todos sairão juntos do bar. O que aconteceu depois? Não sei. Eles podem ter ido beber em outro lugar e ficado mais lisos ainda, podem ter ido pra um motel e no final sido enganados e um deles (ou os dois) trepou com o rapaz homossexual, ou o rapaz homossexual pegou os dois, ou rolou uma suruba ou sabe lá o que mais pode ter ocorrido. Acho que o mais provável é que não tenha dado em nada, elas tenham arrancado mais um pouco de bebida deles e ido pra casa satisfeitas.

Agora me pergunte: “Diego, mas pra que essa história homem?”. Vamos lá, não é de hoje que discutimos serem as garotas seres mentalmente mais evoluídos, espertas e a grande teoria discute que isso se dá pelo fato delas terem somente uma cabeça. Como nós homens temos duas, nem sempre a que pensa é a que fala mais alto, fazendo com que role esse tipo de tolice. Homens juntos ou até mesmo desacompanhamos em bar são presas fáceis para garotas que sabem seduzir e elas estão corretas afinal de contas, depois de séculos de opressão, exploração sexual e sociedade patriarcal elas encontraram a maneira de fazer parcialmente a compensação por tudo, e no bar homens arrogantes, machões, “comedores das estrelas” e desavisados são a presa ideal. Tem um mote masculino que diz que sexo nunca é de graça, especialmente na boêmia pois nem que seja o motel você terá que pagar, mas a questão é que ao notar caras como esses, trouxas pra caramba com uns 30 e poucos anos nas costas e que ainda não aprenderam que no jogo de gato e rato em um bar nós estamos na desvantagem, você pensa que se fosse uma garota também se divertiria.

Tenho o costume de rodar por ai sozinho por gostar de solidão e ficar com as minhas músicas e pensamentos. Vou no cinema só, rolo de skate só, fico de boas na praça sentado ouvindo música só e também vou pra boteco beber só. Vez ou outra fico sentado observando o ecossistema do bar e obviamente ocorre (embora raramente) de  alguma garota bêbada de visão turva ficar encarando ou até mesmo chegar perto, do nado no balcão pra ver se rola assunto. Sim pois a criatura vem lá da caixa prego, do outro lado do bar, para do teu lado e fica te olhando? Deve querer conversar pelo menos. Como sou baldeado de boteco pelo sim ou pelo não escolhi não paquerar em bar com garotas desconhecidas pois já vi cada coisa que brother é de deixar os pentelhos em pé.

O importante camaradas é saber que embora não tanto quanto antes mas ainda a sociedade é machista, mas isso não significa que nós estejamos no controle, aliás é bem provável que nunca tenhamos estado pois como disse, elas são bem inteligentes e como toda pessoa inteligente, sabem ser discretas e comer caladas. Aliás, conhece a expressão “comer calado”? Então, você que é novinho ao ver esses caras tipos os brothers da história que relatei, imagina: “égua eles são fodas, tem atitude, iniciativa. Eles são os caras”. São os caras que se fodem.

Se você quer desenvolver relacionamentos sadios com as garotas, primeiro tem que aprender a respeitar a privacidade delas, isso começa com o simples ato de fechar a boca. Nada de ficar por ai contando pros teus amigos que você tá comendo fulana ou ciclana. Cara isso não é da conta de ninguém. Faça um pacto com a figura da relação (seja ela qual for) discreta, sexo deve e é um assunto que diz respeito somente aos envolvidos. Se você pensa que caras como esses ai se dão bem, não sabe a dor que sentem no bolso e na moral no dia seguinte e que geralmente só transam pagando uma profissional, pois camarada tenha certeza de que a maioria das mulheres, especialmente as que tem experiência na boêmia, sabem sentir o cheiro de um homem trouxa.

Não seja trouxa, não seja caçador nem seja a caça, apenas seja um cara no bar sentado de boa, tomando a sua e o que tiver que rolar que role. Confesso que poucas vezes sai de bar acompanhado com alguma garota que conheci na oportunidade, que me recorde no momento acredito que isto só rolou umas duas ou três vezes em 10 anos de vida de boteco, afinal de contas você pode até conversar com a moça mas deve ir com cuidado pois certamente ela será mais esperta que você. Não estou dizendo aqui que toda garota que expõe interesse em você em um bar tá buscando um babaca pra pagar a conta, ela realmente pode ter te achado maneiro e tá solteira, tá interessada ou na pedra, quem sabe com raiva do namorado e querendo dar pra outro pra se vingar. Os motivos são vários.

Aprenda brodinho, assim como você, garotas são pessoas com objetivos, mecanismos e táticas bem definidas, então não vacila, não pense que você é foda e mesmo no momento de sondar terreno ou fazer investidas e especialmente no bar, vá com calma, com respeito, estrategicamente e pense duas vezes antes de falar alguma besteira ou dar credito total para o que ela fala. Desse modo você vai ser feliz, independentemente da intenção inicial dela, poderá começar uma boa amizade ou quem sabe algo a mais. Nessa guerra de boteco entre os gêneros vez outra sai algo interessante pois saiba que se a garota estiver disponível e realmente perceber que você é um cara legal, ela não lhe tratará como um trouxa, em retribuição ao fato dela não ter sido tratada como um pedaço de carne para amaciar. E suas histórias de bar? Quais são? Conte ai pra gente.

Acauã Pyatã

Na maior parte do tempo: publicitário e blogueiro, nas raras horas vagas um tremendo vadio de skate e desocupado no Insta. Insurgente, divergente e procrastinador. O tipinho de cara que escolheu morrer de pé ao ter que (sobre)viver de joelhos, alguém que escolheu ser a navalha ao invés da carne, um homem que absolutamente não é obrigado a nada, entendeu? N-A-D-A. Um maldito índio moderno em uma arcaica selva de pedra que um dia haverá de cair. Mas não agora, não mesmo.

Fale com ele pelo e-mail: diego@derepente.blog.br