Sessenta, o vento corta a minha pele
O céu e seus mistérios escondidos dentre o azul
Levo os dedos na direção dele como se pudesse tocar
Entrelaçar para tocar as duas estrelas que brilham
Com vida e intensidade muito além da escuridão.

Agora são oitenta,
A linha segue reta e efervescente iluminada pela lua
Sinto o vento frio entrando pelas narinas e invadindo a boca
O Zéfiro vem como em várias noites sussurrando o teu nome
Todos os meses como um sonhos em espiral sem fim.

A noite vai tão alta quanto os 120, aliás uns 150,
Sera que o meu motor aguenta?
Vejo as luzes passando rapidamente como flechas
Flechas buscando a reta até o alvo
Mas um alvo que não se acerta.

De repente tudo fica leve, é essa a sensação da morte Di?
A ponta dos dedos já são dormentes e a cabeça gira
No final me vejo na minha cama mais uma vez
Respiração ofegante e pulso disparado.
Mais uma noite em que o tempo passa mas deixa a minha incógnita.
Ainda bem que todo mês é outubro em Belém.

Acauã Pyatã

Na maior parte do tempo: publicitário e blogueiro, nas raras horas vagas um tremendo vadio de skate e desocupado no Insta. Insurgente, divergente e procrastinador. O tipinho de cara que escolheu morrer de pé ao ter que (sobre)viver de joelhos, alguém que escolheu ser a navalha ao invés da carne, um homem que absolutamente não é obrigado a nada, entendeu? N-A-D-A. Um maldito índio moderno em uma arcaica selva de pedra que um dia haverá de cair. Mas não agora, não mesmo.

Fale com ele pelo e-mail: diego@derepente.blog.br