Leia ouvindo esta música:

Saindo um pouco do eixo da lascividade tipica deste blog, hoje quero compartilhar uma história com vocês, de uma camaradinha que vou chamar ficcionalmente de “Marlene”. Ela sempre foi muito queria e brothona da galera. Sabe aquela garota que é bacana, gostosa e gata mas ela tá na tua galera velha guarda a tanto tempo que embora seja uma menina e vocês a tratem como o chaveirinho da galera, ela é como se fosse um brother? Então. “Marlene” sempre colecionou muitas história loucas com a galera, teve o primeiro porre dela com essa galera, que cuidou dela. Teve a primeira transa com um namorado dela em uma barca na casa de alguém da galera, assim como teve vários pretendentes e ex-namorados que levaram carreira dos brothers dela pra deixarem de ser otários e fazer com que ela ficasse grilada.

Os anos se passaram e “Marlene” seguiu com essa galera na brothagem total, com muitas histórias memoráveis de nossos anos rebeldes e inconsequentes. Histórias inesquecíveis. Mas como o tempo é implacável e as pessoas crescem e amadurecem, todos seguiram suas vidas e suas carreiras, seus estudos e seus afazeres, alguns com família, filhos ou somente casados e poucos solteiros. Essa galera sempre foi tão safa juntos que embora alguns não tenham obtido tanto sucesso em suas carreiras e vidas ainda, sempre que quem tem melhores condições pode se juntar pra galera beber em um lugar maneiro ao som de muito rock, todos vão e sem cobrança de forra depois, assim como quando os colegas que ainda não estão em uma situação financeira tão confortável ficam desconsertados por nunca ter uma “forra” para dar, vão para o banco da praça tomar catuaba, cachaça e relembrar dos tempos de adolescência, fazendo a mesma coisa que fazíamos quando nos conhecemos e começamos o grupo.

Com o tempo infelizmente, as pessoas mudam e tem um ditado que diz: “dê poder e/ou dinheiro a um homem/mulher e este revelará a sua verdadeira face”. “Marlene” começou a dar certo nos estudos, se formou foi começando a construir a vida e novas amizades, assim como todas as pessoas da galera. Conseguiu um estágio na época de faculdade e depois um emprego legal com uma forcinha de uns brothers da galera e sempre muito independente e determinada chegou ao inicio da trilha de vida que desejava. Acontece que “Marlene” descolou outras galeras, namorados e começou a experimentar ambiente diferentes, o que é normal e aconteceu com todos nós, mas notamos que com o tempo ela não dava mais notícias, as respostas para mensagens eram menos frequentes.

Aos poucos “Marlene” deixou de colar com a galera pois agora só saia se tivesse alguém de carro pra ir levar e deixar ela em casa, não frequentava mais o banco da praça e as vezes aparecia quando o encontro ela em um lugar badalado, passou a dar menos atenção para os brothers mais humildes da galera, fazia farrinhas em casa e convidava os mais $ocialmente apresentáveis e “esquecia” os demais que seguraram tantas ondas e limparam tantas vezes a barra dela. Por este motivo, “Marlene” foi obrigada a ter que se distanciar de todos pois nessa galera ou são todos como um todo ou nunca alguém será somente em partes.

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Acontece que assim como a vida te sorri, tem dias em que ela acorda de mal humor e você se ferra, assim aconteceu com “Marlene” que perdeu o emprego legal, arrumou um outro que não pagava tão bem pra poder segurar as contas e viu boa parte dos amigos e amigas novos e bacanas dela fazerem farrinha e irem para a baladinha e “esquecerem” dela. Marlene teve que vender o carro, parou de frequentar as boates badaladinhas e andar com  galera “top” pois o bolso não aguentava mais. No tédio do semana em casa, ela lembrou da galera que se reunia pra bater papo no banco da praça, jogar dominó e beber birita de liso e resolveu dar as caras de novo. Apareceu naquele mesmo dia, naquele mesmo local e lá estava a mesma galera, que já sabendo do que se passava e embora alguns na retranca, receberam “Marlene” como se ela sempre estivesse estado ali e para eles estava, afinal de contas errar é humano, o problema não é você errar, mas não aprender com o erro.

Depois de uns dias ao perceber que não seria deslocada do grupo, “Marlene” finalmente entendeu que nessa vida dinheiro vem e vai, assim como namorados, “amigos”, a juventude, os bens, a beleza e que no final das contas tudo é efêmero menos a brothagem, afinal de contas por mais que tudo dê errado e a coisa aperte, sempre vai rolar uma praça, um banco, uma cachacinha vagabunda e os brothers para chorar os infortúnios e rir das histórias que tivemos juntos e de todas as outras que ainda estarão por vir, afinal de contas dessa vida são as únicas coisas que levaremos e que realmente importam, já que de todas as criações neste universo, de certo o ser humano é a mais efêmera de todas. Se existe outra vida eu não sei, só sei que temos esta.

Conclusão: Você deve ter muito orgulho de quem se tornou e de onde chegou e irá chegar, mas nunca se esqueça de onde veio, de quem é e especialmente daqueles(as) que sempre estarão contigo, nem que seja pra rebater uma birita vagabunda. Falow valew.

Acauã Pyatã

Na maior parte do tempo: publicitário e blogueiro, nas raras horas vagas um tremendo vadio de skate e desocupado no Insta. Insurgente, divergente e procrastinador. O tipinho de cara que escolheu morrer de pé ao ter que (sobre)viver de joelhos, alguém que escolheu ser a navalha ao invés da carne, um homem que absolutamente não é obrigado a nada, entendeu? N-A-D-A. Um maldito índio moderno em uma arcaica selva de pedra que um dia haverá de cair. Mas não agora, não mesmo.

Fale com ele pelo e-mail: diego@derepente.blog.br