Não é de hoje que os meus pais tentam me empurrar para o inicio de uma nova jornada na vida: o casamento. Meu último namoro durou quase cinco anos e embora eu e ela tivéssemos especulado esta possibilidade, certamente meus pais falavam disso mais do que nós. Meus pais são pessoas humildes que cresceram achando que o destino do homem é arrumar um trabalho que permita se sustentar, arrumar uma mulher, filhos e constituir família. Confesso que esta ideia nunca me agradou.

Eles se baseiam na ideia de que além de ter mulher e filhos, um homem de verdade deve sustentar uma esposa que cuide da casa para ele, cozinhe, cuide das crianças e lave as roupas, ou seja: homem de verdade tem que ter a porra de uma babá. Nunca gostei ou me interessei por esse tipo de mulher, pois não preciso da continuação de uma mãe na minha vida. Quando digo em casa que não tenho a menor urgência em me casar e que tão pouco penso nisso aos 27 anos, eles me olham de maneira estranha e perguntam se eu sou macho ou o que? Sugerindo que homem que não arruma família é um tremendo viado. Minha família toda pensa assim, só que estou cagando e andando para eles já que não devo satisfação da minha vida para parente nem para vizinho.

Sou daqueles caras que acredita piamente que homem nenhum precisa de uma feme para viver, por quais motivos? Simples: você tem que saber lavar as suas próprias cuecas, tem que saber que não se lava roupa de cor ou com tingimento pesado com roupas brancas ou claras, saber que água sanitária só se usa para alvejar roupas brancas e de tecido que não seja fino. Todo homem tem que aprender a cozinhar o básico e tudo aquilo que gosta de comer, assim como dominar arte de ajustar a temperatura do ferro de passar de acordo com o tipo de tecido e por fim, malhar o braço esfregando chão, limpando banheiro, dobrando fronha e varrendo chão. Não precisamos de mulheres para fazer essas coisas.

Obviamente tenho amigos que encontraram mulheres assim e vivem muito bem pois tem uma babá, não consigo imaginar morte mais lenta que essa, a do comodismo. Se for para ter alguém para quem sabe um dia dividir a vida, que ao menos seja alguém interessante e que combine comigo no que interesse mas seja completamente diferente também, que seja independente, não precise de mim para absolutamente nada e tenha liberdade e necessidade de ir e vir quando quiser, que tenha uma profissão na qual ela se realize e passe os seus dias extremamente ocupada, assim como eu, para que não tenha tempo de ficar pensando besteira e dando conta da minha vida já que a dela é bem mais interessante para ela mesma.

Essa ideia de que homens dependem de mulheres para fazer as coisas é tão ridícula quanto a delas dependerem de macho para conseguir coisas que vão além de abrir tampas apertadas, afinal de contas essa habilidade de fato é só nossa. Penso que um caminho interessante para ambos os gêneros é que o mais rápido possível um se emancipe do outro, de modo que o que apenas una pessoas de gêneros diferentes sejam as motivações que geram prazer na companhia um do outro, sem obrigações ou distribuição de tarefas e papeis. Parece até um discurso batido das feministas mas acredite, não me considero feminista, mas digo que penso dessa maneira pelo fato de estar de saco cheio de ano após ano as pessoas me perguntarem quando vou arrumar uma mulher e me casar. Porra eu não preciso de mulher pra porra nenhuma! Me viro bem só! Claro que não estou discutindo aqui questões emocionais ou sexuais, já que não tenho desprendimento emocional para com homens nem tão pouco interesse sexual, ainda assim não preciso me casar e viver junto com uma garota para ficar apaixonado e transar. Vocês entenderam.

Recentemente o meu melhor amigo anunciou que está noivo, ele é cinco anos mais jovem do que eu e é basicamente o último de uma longa turma de um circulo próximo e intimo a resolver se juntar a alguém, de modo que eu com muita felicidade percebo que sou verdadeiramente o último solteirão dessa garotada. Tem um ditado popular que diz que “quem escolhe muito, acaba escolhendo errado”, então para não correr também o risco de escolher rápido demais o melhor deve ser não escolher, simplesmente deixar que as coisas aconteçam. Quando as coisas acontecem, a vida aponta para você um caminho pelo qual pode seguir ou não. Pode ir por um pior ou também por um muito melhor, diferente do que as coisas aparentemente evidenciam.

Cara pode ser que um dia eu me case, pode ser que não. Pode ser que um dia seja pai, pode ser que não. Pode ser que eu acabe como um velho em uma cadeira sentado na janela olhando para a lua e entregue as lembranças das minhas aventuras boêmias, mas tanto faz, pois como diz a música: “então me diz qual é a graça de já saber o fim da estrada, quando se parte rumo ao nada”. Flw aew, e não deixa ninguém te dizer que você é viado por não ter urgência em juntar os trapos com alguém. Cara só deixe rolar que quando tiver que rolar e se tiver que rolar, vai.

Acauã Pyatã

Na maior parte do tempo: publicitário e blogueiro, nas raras horas vagas um tremendo vadio de skate e desocupado no Insta. Insurgente, divergente e procrastinador. O tipinho de cara que escolheu morrer de pé ao ter que (sobre)viver de joelhos, alguém que escolheu ser a navalha ao invés da carne, um homem que absolutamente não é obrigado a nada, entendeu? N-A-D-A. Um maldito índio moderno em uma arcaica selva de pedra que um dia haverá de cair. Mas não agora, não mesmo.

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