Tenho medo dos teus olhos
De ao fitar neles me perder nesse mar castanho
Tenho medo de relembrar de um segredo
De coisas que escondi de mim mesmo.

Evito olhar nos teus olhos castanhos,
Por ter medo de que meus próprios olhos
me traiam e falem coisas que jurei não mais dizer pra ti
Eu não aprendi a mentir.

Sempre que te vejo desvio os meus olhos dos teus
Como uma criança boba com medo do que pode descobrir
Falo contigo e sobre ti mas contido e tolido
Me sinto como se a tua simples presença me deixasse tímido.

Tenho medo de olhar nos teus olhos
Por saber o que eles já representaram para mim
Por entender que existem coisas que podem ser inevitáveis
Atemporais e quem sabe irrefreáveis.

Mas na verdade eu não olho nos teus olhos
Com medo de que ao fazer tu vejas nos meus
A chama de uma luz antiga de fim de tarde
Como o intenso pôr-do-sol
Sempre que te penso e sinto em mim.

A verdade é que meu medo é que percebas
Que ainda possuo aquele brilho nos olhos
O mesmo brilho de quando encostávamos nossos rostos
De quando nossos olhos ficavam tão próximos que o corpo ardia.

Tenho medo de nos teus olhos ver o brilho dos meus olhos
Com aquela mesma luz antiga que ainda me queima
Pelas longas madrugadas.

De todo o brilho dos meus olhos
Que temo ver no profundo dos teus olhos
Temo relembrar e reviver tudo o que mais gosto em ti.

Acauã Pyatã

Na maior parte do tempo: publicitário e blogueiro, nas raras horas vagas um tremendo vadio de skate e desocupado no Insta. Insurgente, divergente e procrastinador. O tipinho de cara que escolheu morrer de pé ao ter que (sobre)viver de joelhos, alguém que escolheu ser a navalha ao invés da carne, um homem que absolutamente não é obrigado a nada, entendeu? N-A-D-A. Um maldito índio moderno em uma arcaica selva de pedra que um dia haverá de cair. Mas não agora, não mesmo.

Fale com ele pelo e-mail: diego@derepente.blog.br