Não tem como isso dar certo,
No mesmo universo,
Cada um em sua dimensão,
Não dá certo,
Enquanto dizia sim,
Você me enchia de não.

Não tem como isso dar certo,
Você pedia paciência,
Eu dizia: tudo bem porque não?
Não dá certo,
Ficava olhando a porta aberta,
Me perguntava: porque você foi então?

Não tem como isso dar certo,
Tantos post its em um caderno,
Que me lembravam do X da questão,
Não dá certo,
Quando eu pensava: agora eu acerto,
Era só mais um post it infeliz pra coleção.

Não tem como isso dá certo,
E se errei no tempo,
Mesmo acertando na intenção?
Não dá certo,
Olha tudo o que te escrevi moça,
Você dizia que eu não estava são.

Não tem como isso dar certo,
Quando eu te dizia: vem comigo,
E você só respondia: ainda não,
Não dá certo,
De face pra fera e espada na mão,
Mas eu sequer arranhei o dragão.

Não tem como isso dá certo,
Quando eu acreditava você dizia,
Nem sempre se tem o que se quer não.
Não dá certo,
Uma hora entrelaçando dedos,
Sabendo que amanhã não vai ter não.

Não tem como isso dar certo,
Na última mensagem entendi,
Que perdi apesar de tanto esmero,
Não dá certo,
Ainda dos nossos olhos castanhos,
Os teus vez ou outra os meus enxergam.

Acauã Pyatã
Na maior parte do tempo: publicitário e blogueiro, nas raras horas vagas um tremendo vadio de skate e desocupado no Insta. Insurgente, divergente e procrastinador. O tipinho de cara que escolheu morrer de pé ao ter que (sobre)viver de joelhos, alguém que escolheu ser a navalha ao invés da carne, um homem que absolutamente não é obrigado a nada, entendeu? N-A-D-A. Um maldito índio moderno em uma arcaica selva de pedra que um dia haverá de cair. Mas não agora, não mesmo. Fale com ele pelo e-mail: diego@derepente.blog.br