Depois de um longo período com as ideias encostadas, estou oficialmente retomando as atividades do De Repente, com um monte de sugestões de pauta acumuladas e temáticas baseadas em histórias reais e outras nem tanto. Como o tema deste artigo já propõe, hoje vamos conversar sobre encanto desencanto, devaneio, loucura e desilusão, ou seja: a vida como ela é.

143656_Papel-de-Parede-Moinho-de-Vento--143656_1280x800Mesmo para aqueles que não são fãs de clássicos da literatura mundial, você já deve ter ouvido falar da obra Dom Quixote de la Mancha, do autor Miguel de Cervantes, que narra as aventuras de um fidalgo que de tanto ler sobre romances e aventuras de cavaleiros acabou por perder a sanidade, se lançando em aventuras que sempre são confrontadas e desmentidas pela realidade. Na história, Quixote possui uma amada chamada Dulcineia Del Taboso, que o motiva durante sua aventura e este também acredita enfrentar dragões, que nada mais são do que moinhos de vento.

O mais interessante da narrativa de Dom Quixote De La Mancha é que hoje ela se torna uma grande metáfora sobre a vida. Todos nós em algum momento nos lançamos em batalhas e aventuras quixotescas por algo ou alguém. No momento em que você lê isto certamente deve recordar de alguma história sua, quem sabe ainda esteja em uma e isto o fará confrontar-se com a ideia de que pode estar lutando por algo que só existe na sua cabeça.

Podemos citar vários exemplos de momentos assim em nossas vidas, sejam com desilusões ideológicas, amorosas, com princípios pessoais, a forma de ver o mundo ou quem sabe no que se refere a amor e paixão. Esta ultima, de certo, a mais comum. Você luta por coisas ou pessoas desde o momento em que vem ao mundo, luta nem que seja para não ter mais que lutar, luta por acreditar em algo e dificilmente outra pessoa te fará desacreditar disso ou luta pois quer acreditar mesmo que o contrário seja óbvio. É sabido que nesta vida temos que ter lutas e glórias para viver, mas mais ainda o ser humano necessita ter paixão para ter pelo que viver. Dom Quixote, um fidalgo louco, é a personificação de toda a paixão que nos toma e o resultado disso é a loucura para se lançar em uma aventura desconhecido por aquilo que nos apaixona, mesmo que depois de tanto lutar e andar, de toda a história e no final dela você descobre que o temido dragão que lutou para vencer não passava de um moinho de vento, que aquilo que te motivava a lutar existia apenas na sua cabeça, na sua imaginação, ou como uma mera intenção despretensiosa que não ocorrerá simplesmente por ser algo somente teu.

dom-quixote-2Existe uma música do Engenheiros do Hawaii que recebe o nome do personagem de Cervantes, que fala sobre toda a ilusão e confusão deste, que nas estrofes destaca que mesmo que os dragões sejam moinhos de vento e por isso sendo um otário, Quixote continuará movido pelo amor e pela paixão, mesmo que por uma causa perdida, que pertence somente a ele. Não sei vocês, mas vejo nisso tudo a grande metáfora dos encantos e desencantos da grande aventura que é viver imersos em nossas paixões, até quando são coisas só suas, que não são divididas e que você sabe que só existiram na sua cabeça.

Curioso isso não acha? Se eu for perguntar para cada um aqui sobre uma história que veio a mente enquanto lia esse texto, com certeza teríamos coisas muito legais, muitas proposições que dariam muitos artigos. Mas é melhor que fiquemos com nossas aventuras quixotescas para nós mesmos.

Você pode fazer o download de Dom Quixote de la Mancha gratuitamente, como obra de domínio púbico neste link, assim como ouvir a música dos Engenheiros no vídeo abaixo. Até o próximo texto pessoas.

Acauã Pyatã
Na maior parte do tempo: publicitário e blogueiro, nas raras horas vagas um tremendo vadio de skate e desocupado no Insta. Insurgente, divergente e procrastinador. O tipinho de cara que escolheu morrer de pé ao ter que (sobre)viver de joelhos, alguém que escolheu ser a navalha ao invés da carne, um homem que absolutamente não é obrigado a nada, entendeu? N-A-D-A. Um maldito índio moderno em uma arcaica selva de pedra que um dia haverá de cair. Mas não agora, não mesmo. Fale com ele pelo e-mail: diego@derepente.blog.br