A intenção deste texto não é discutir o que vem a ser ou não uma puta e todo o (pre)conceito imposto sobre a palavra que adquiriu ao longo dos séculos um sentido completamente pejorativo, a intenção aqui é focar em um conceito com o qual me deparei ontem enquanto batia um lero com um colega de trabalho.

Depois que um japonês stalker (sempre os asiáticos) começou com uma vibe de “Diego, Valkyria é o nome da tua namorada?” juntamente com a curiosidade dos meus colegas quanto ao fato de ter parado de beber e ficado quieto, além do enxerimento de um gordo zueiro sem vergonha, as pessoas estão cogitando sobre quem é “Valkyria”. Expliquei para um colega de trabalho que sou uma pessoa discreta quanto a relacionamentos, e que muito raramente vou no  Facebook mudar status e marcar a outra parte, além de manter minhas relações reservadas entre mim e ela, dai o mesmo dispara: “Ah Diego então tu é uma puta!”. Ao questionar o infeliz sobre essa ideia bisonha, o mesmo explicou que pela forma como coloco, nos meus relacionamentos eu sou como uma puta: mantido discretamente, sem levantar suspeitas, ninguém sabem quem é e de onde vem ou pra onde vai, de modo que é quase uma relação de caráter inexistente não palpável para as demais pessoas.

Achei coerente e divertido até certo ponto. Entendi que a relação que ele tece é um comparativo com o comportamento em relações extraconjugais. Achei até engraçado inclusive pois ao levar a coisa pelo senso comum e pelo modelo socialmente “adequado” de relacionamento, faz sentido. Vamos então falar sobre o homem puta, daqui doravante chamado de homem puto.

Sabe aquele carinha com quem você fica e/ou transa mas a relação fica somente entre os dois, de modo que ninguém vê, ouve, sabe ou até mesmo nem imagina que a pessoa exista? Esse é o seu homem puto. Independente de como você sinta e encare ele, seja como amigo, B.A, amante, namorado, mera foda casual ou qualquer outra coisa que você possa imaginar, o conceito é empregado para definir caras que são o seu caso reservado, que independe de seus amigos, de você já possuir outro relacionamento ou não ou de qualquer outra questão, é alguém que habita literalmente uma dimensão a parte na sua existência. Soa estranho e complexo não é? Mas é bem simples meu povo.

O termo é uma tentativa de qualificar algo que não se consegue compreender devido a estranheza causada por não possuir proximidade com o que se aceita como uma relação “saudável”. Existem muitas formas de relacionamento estranhos é verdade, mas acho muito curioso como as pessoas exigem que se você namora ou tem um relacionamento, expor a outra parte para a família, amigos, sociedade e etc…

Puta é uma definição que nada mais é do que uma marca de marginalização, definir um cara como homem puto nada mais é tentar colocar qualificar uma relação como marginal. O que de fato é se considerar que ela confronta o senso comum como já citamos.

Se formos parar para pensar, a maioria das relações começam dessa maneira não é mesmo? E depois de um tempo elas podem seguir outros passos como apresentar para a família, amigos, assumir publicamente e por ai vai, excerto em casos de relacionamento secundário, quando existe um principal. Curiosamente temos um paralelo interessante hoje em dia: as formas como relacionamentos se desenvolvem em partes ou durante toda a sua extensão tem mudado bastante e de repente o conceito de “homem puto” seja um reflexo disso. O que você acha? Você é um “homem puto? E você que é mina, tem um homem puto? Conta pra gente qual a sua visão sobre nos comentários desse post e vamos conversando sobre.

Acauã Pyatã
Na maior parte do tempo: publicitário e blogueiro, nas raras horas vagas um tremendo vadio de skate e desocupado no Insta. Insurgente, divergente e procrastinador. O tipinho de cara que escolheu morrer de pé ao ter que (sobre)viver de joelhos, alguém que escolheu ser a navalha ao invés da carne, um homem que absolutamente não é obrigado a nada, entendeu? N-A-D-A. Um maldito índio moderno em uma arcaica selva de pedra que um dia haverá de cair. Mas não agora, não mesmo. Fale com ele pelo e-mail: diego@derepente.blog.br