Uma rua e a lua
No bar tem Pedro
O primeiro copo
Me traga logo

Aqui tem gente
Mas não foco a lente
Pra quem sabe de repente
Fugir com minha mente

O segundo copo
Bateu o remorso
Daquilo que já não posso
Perdeu o propósito

O terceiro copo
Já que não posso
Acho que ia tendo um troço
Dei tempo ao tempo
Sobrou o relento

Chegou outro copo
A vista é turva
A reta muda
A perna é bamba
Cai no samba

Já vou embora
Cruzando a rua
Uivando pra lua
Sentindo o vento
Querendo alento

Pedro está só
Talvez seja melhor
No rosto o semblante da guerra
E na pele a cicatriz do que não resta

Cruzou a rua
Caiu no mundo
Tá tudo escuro
Paixão de primeiro gole
Some junto com a ressaca

Não tem mais cheiro
Perdeu a memória
Acabou a imagem
Mas que viajem

Não tem mais som
Mas foi tão bom
Rasgou o livro
Ficou sem texto
E perdeu o contexto

Pedro agora acabou o verso
Como pode tudo isso ficar ao inverso?

Acauã Pyatã

Na maior parte do tempo: publicitário e blogueiro, nas raras horas vagas um tremendo vadio de skate e desocupado no Insta. Insurgente, divergente e procrastinador. O tipinho de cara que escolheu morrer de pé ao ter que (sobre)viver de joelhos, alguém que escolheu ser a navalha ao invés da carne, um homem que absolutamente não é obrigado a nada, entendeu? N-A-D-A. Um maldito índio moderno em uma arcaica selva de pedra que um dia haverá de cair. Mas não agora, não mesmo.

Fale com ele pelo e-mail: diego@derepente.blog.br