Dizem que a solidão enlouquece, mas a sua sanidade na verdade só vai tá em jogo a partir do momento que você não é mais sozinho, que você convive com outras pessoas.

Como tinha dito no post “Sobre saudade“, também iria falar sobre solidão mas em um segundo momento e este chegou. As pessoas que me conhecem sabem que sou uma pessoa muito reservada, embora tenha um blog altamente descarado sobre coisas que a maioria das pessoas não conversaria abertamente, mas foda-se. Vez ou outra alguém me pergunta sobre esta minha vibe de viver por ai sozinho. Gosto muito de fazer coisas sozinhos pois de fato não tenho quem me acompanhe: todos os álbuns que nunca ninguém quer ouvir comigo, todos os livros que nenhum dos meus amigos jamais vai ler, todos os lugares e rolés para os quais todo mundo sempre está ocupado ou tem coisas melhores para fazer do que vagabundar.

Ninguém entende o prazer que sinto em ficar jogado na grama, ouvindo música enquanto namoro a lua e olho para as estrelas pensando no sentido das coisas em minha vida. A solidão sempre pareceu algo triste, coisa de gente amarga ou não querida, mas para mim solidão é sinônimo de liberdade e independência. Sou desses caras que sai sozinho pra ir no cinema ver um filme qualquer quando bem entendo ou que vai pro bar beber só enquanto ouve música no fone de ouvido e vai ficando bêbado e se divertindo em tentar perceber como as pessoas agem e o que motiva elas.

Isso não significa que pessoas que curtam ficar sozinhas não gostem de ter amigos ou sejam tristes. Particularmente adoro me reunir com os meus amigos pra qualquer coisa, nem que seja só pra jogar papo fora, ir pra baladinhas, dar rolés e etc… Mas ocorre que esta é apenas uma parte de mim, mas existe outra parte que é independente emocionalmente e quer fazer as coisas das quais tem vontade sem depender de ter alguém como pretexto para dar o primeiro passo, e o seguinte, e o seguinte e o seguinte.

O ser humano nasce um ser social e nunca deixamos de ser, necessitamos uns dos outros e por isso a solidão se revela algo tão amargo. Por ser como sou, tem gente que além de me achar estranho, tem a impressão de que sou turrão, mal humorado e tempestivo ou colérico. Já que vivo sozinho, não tenho motivo pra ficar escancarando os dentes por ai. Mas as pessoas com quem crio afinidade, ou possuo algum tipo de química sinérgica ou algo de pele (e geralmente acontece logo de primeira), sabem que sou uma criatura meio que inocentemente sacana e bem humorado ao extremo (risos).

Vejo tantas pessoas que vivem rodeadas de outras e interagindo e são tão sozinhas, eu não me sinto assim. Penso que é na solidão, o momento em que converso comigo mesmo, que consigo percebe razões pra valorizar os momentos que tenho com outras pessoas. Já passei por experiências nada agradáveis ao perder amigos significativos. Quando fico sozinho consigo me reencontrar com eles através das lembranças.

As pessoas não devem ter medo de estar sozinhas, pois o estar é uma condição temporal e circunstancial, elas devem ter medo de serem sozinhas. Quando você é sozinho, não interessa se vive com os seus amigos ou família por perto, sempre vai ter a sensação de que alguma coisa não vai nada bem.

Tudo bem que não sou o tipo de pessoa que chora desilusões amorosas com os amigos ou que pede conselhos para as pessoas, ou até mesmo que se expõe emocionalmente de maneira desnecessária, pois uma das maores dádivas que a solidão me proporcionou foi aprender a me resolver sozinho. Sofro sozinho, choro sozinho, grito sozinho, despenco só mas também me ergo só, limpo as feridas só, volto a andar só e adoto resoluções e toco a vida só, de modo que as pessoas nem percebem. Olha só que maneiro, quem me conhece mais intimamente me tem como alguém que sempre está feliz e é verdade, pois quem aprende a ser feliz sozinho certamente saberá ser feliz em grupo.

Quando me perguntaram o que penso sobre saudade e sobre solidão, me deu um nó na mente pois mesmo sendo nostálgico e andando sozinho, nunca tinha parado para refletir sobre. Cara até quando eu to namorando e apaixonado, tenho os meus momentos de solidão. Sei lá é algo meu, mas acreditem: adoro ter companhia nem que seja só pra ficar calado olhando pra cara da pessoa (huahaua).

Nessas vibes alone da vida a gente aprende cada coisa, que definitivamente se não te matam vão te divertir e/ou deixar mais forte e convicto. Espero ter conseguido passar um pouco de como me sinto sobre solidão, já que a pergunta inicial foi “o que você Diego pensa sobre saudade e solidão?”, isso tem quase um mês inclusive. Então é isso. Agora vou continuar ouvindo os meus folks no escuro do meu quarto enquanto observo as luzes e sombras que entram pela janela e se projetam no meu teto. Falow!

Não deixe de assistir um curta-metragem experimental chamado “Solidão”.

Acauã Pyatã

Na maior parte do tempo: publicitário e blogueiro, nas raras horas vagas um tremendo vadio de skate e desocupado no Insta. Insurgente, divergente e procrastinador. O tipinho de cara que escolheu morrer de pé ao ter que (sobre)viver de joelhos, alguém que escolheu ser a navalha ao invés da carne, um homem que absolutamente não é obrigado a nada, entendeu? N-A-D-A. Um maldito índio moderno em uma arcaica selva de pedra que um dia haverá de cair. Mas não agora, não mesmo.

Fale com ele pelo e-mail: diego@derepente.blog.br