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Todos sabemos que a industria pornográfica mainstream é construída seja ela dentro de uma vertente erótica ou até mesmo mais pornográfica, pensando em satisfazer os desejos masculinos, ao passo que as garotas são colocadas em segundo plano. É só perceber como os roteiros, fotografia e sonorização são desenvolvidos, buscando satisfazer mais ao eros masculino.

Curiosamente, ao contrário do que muitos de nós caras pensamos, garotas também consomem muito conteúdo pornográfico e erótico, o que muitas vezes é frustrante para elas pois deixa muito a desejar no que se refere ao que realmente as excita. Nos homens até gostamos de enredos e contexto, mas nossa mente sempre está mais direcionada para a ação, a penetração, a pegada e na maioria das vezes o uso do corpo feminino como objeto de prazer, ao passo que na minha percepção, garotas se envolvem em uma atmosfera erótica mais pautada em jogos, toques, boas preliminares e um roteiro rico que estimula e leva ao ato sexual com alguma motivação mesmo que rasa.

Não amigos, não estou falando de romancinho, estou falando de uma senhora foda mesmo, pois já sabemos que as garotas hoje sabem muito bem dividir questões sentimentais do sexo puramente por prazer.

Algumas vezes caras podem se deparar com garotas que possuam inclusive certa resistência ou estranheza a transas mais “hard core”, por reproduzir o padrão do pornô mainstream e você pode ouvir coisas do tipo: “você transa que nem ator de filme pornô” ou “caralho parece cara de xvideos”. Isto ocorre em virtude da percepção de sexo que homens. Tudo bem que parte delas não se importa, porém outras vão.

Coisas que normalmente nós homens somos acostumados a imaginar como gemidos altos, expressões de alta putaria e dominação masculina nem sempre fazem a cabeça delas e depois de bater bastante a cabeça e fazer algumas pesquisas cheguei a conclusão de que parceiro, existindo garotas e garotas, assim como temos aquelas que gostam do formato de transa mais alinhado ao mainstream pornográfico, também tem aquelas que vão exigir de você mais tato e dedicação para conseguir além de se satisfazer, claro satisfazer a elas.

Hoje nos vamos falar sobre como estas questões que nascem da segurança que garotas tem hoje em expressar a sua sexualidade, independentemente da ideia de ter que satisfazer aos caras, tem causado transformações interessantes no cinema pornográfico. Nos últimos anos tem surgido produções com roteiro, direção, fotografia e cenografia complemente dirigida por mulheres, onde os atores masculinos assumem um papel secundário quando você analisa o que de fato importa na narrativa. O despontar de filmes eróticos feitos por garotas para garotas vai extremamente de encontro ao que já acontece na literatura, com livros que nós homens achamos um saco mas elas adoram. Hoje consigo entender como fui ignorante e estúpido por tripudiar a vida toda dessas obras, afinal de contas foram livros escritos por mulheres para mulheres, e não para caras que nem eu, moldados a base da industria pornô mainstream. Mas não existe nada nesta vida que não possa ser corrigido desde que se queira, ainda bem.

Para exemplificar, gostaria de compartilhar com vocês um filme chamado “Female Fantasy”, ou Fantasia Feminina se assim preferir. O filme é dirigido por Zara Kjellner e foi lançado em 2015. Neste filme você vai perceber que a protagonista é uma garota que pensa sacanagem e se masturba ao se imaginar fazendo sexo com um estranho em um local público. O destaque para o curta metragem é que além de um roteiro muito bem feito, a fotografia favorece planos fechados que destacam os detalhes do prazer feminino durante a masturbação, como pernas e seios vibrando em virtude do movimento dos dedos, o som da respiração ofegante como sonora destacável nas cenas e o êxtase do corpo feminino ao atingir o orgasmo. Vamos ao filme:

Gostou? Se você observar a riqueza de detalhes, irá notar que de fato é um filme pensado por mulheres para mulheres. Assim como Zara, existem outras diretoras que estão mandando muito bem como Vex Ashley, Ninja Thyberg e Petra Joy, esta última uma alemã que produz filmes pornôs art-core bem diferente do hardcore feito por homens.

O que particularmente achei extremamente excitante é ter a oportunidade de assistir filmes que ajudam a tentar entender melhor o que elas esperam de sexo. Você pode ver isso como mais uma dessas ondas de garotas que não tem boas fodas ou pode ver como uma oportunidade para utilizar a humildade e aprender coisas que podem ajudar você a agradar a sua parceira, tornando sexo mais divertido, agradável e interessante para ela do que simplesmente chegar lá, tirar a roupa e parecer que está perfurando um poço artesiano.

O fato parceiros é que todos nós temos muito o que aprender ainda, então relaxe, tome um banho e confira alguns filmes nos links a seguir e reflita, se desprendendo um pouco do padrão mainstream do xvideos:

Gostaria também que vale a pena ler os manifestos. Não vai fazer cair a piroca eu garanto, a minha pelo menos ainda está aqui e funcionando. Até o próximo artigo.

Fonte: Conheça quatro mulheres que estão mudando a forma de produzir pornografia (Texto de: Mariana Caldas).

Acauã Pyatã
Na maior parte do tempo: publicitário e blogueiro, nas raras horas vagas um tremendo vadio de skate e desocupado no Insta. Insurgente, divergente e procrastinador. O tipinho de cara que escolheu morrer de pé ao ter que (sobre)viver de joelhos, alguém que escolheu ser a navalha ao invés da carne, um homem que absolutamente não é obrigado a nada, entendeu? N-A-D-A. Um maldito índio moderno em uma arcaica selva de pedra que um dia haverá de cair. Mas não agora, não mesmo. Fale com ele pelo e-mail: diego@derepente.blog.br