Em tempos de Badoo, Tinder, Lovoo, Zhosk e aplicativos de encontros que no Brasil se tornam verdadeiros locais para encontrar prazer e sexo descomprometido, transar nunca se tornou algo tão banal. Se você já instalou algum desses aplicativos (ou todos) e até mesmo conhece pessoas que se servem destes serviços, sabe que neles você tem público para todos os gostos, com um pouco de lábia e as vezes flexibilidade, é possível engatar  boas transas casuais com pessoas que você nunca mais irá ver na sua vida.

Eu não sou hipócrita e confesso que já conheci garotas bem interessantes nestes aplicativos, algumas se tornaram incríveis amigas, outras foram transas casuais e nunca mais as vi. Uma vez conheci inclusive uma garota que lia este meu humilde e lascivo blog. Mas hoje não estou aqui para discutir experiências dos outros, mas sim uma experiência pessoa a qual venho refletindo profundamente nestes dias estranhos.

Quem me conhece sabe que sou um cidadão complicado quando a questão são assuntos do coração e que meus lances são baseados na regra da paixão boêmia: começam com o primeiro gole e terminam na ressaca. Sempre levei a vida com base em aventuras emocionais e raramente fiquei paradão em uma mina, já tive namoros excelentes e longos, como o meu último que durou quase cinco anos e hoje somos bons amigos e ela é uma pessoa pela qual tenho um grande carinho e admiração. A última vez que fiquei sem chão por causa de uma garota e me permiti ficar aéreo foi no ano passado, mas a história infelizmente terminou de maneira completamente desastrosa, embora tenha sido incrível todos os dias enquanto durou e eu lembre de tudo com muito carinho e até um fio de saudade, mas logo aconteceu o que sempre acontece e eu voltei ao meu estado de letargia habitual e nem ai pra nada. No entanto, estes dias tenho percebido que essa vida louca, de paixões intensas mas curtas, de pequenos episódios de novas descobertas no Badoo e Tinder com dada de validade não superior a uma semana, com prazo bem definido para encontrar o final já não parece mais interessante.

Calma, não estou dizendo que me sento carente emocionalmente e precisando de alguém ao meu lado. Não meus amigos(as), como diz uma brothinha chamada Ananda: “será que este é o fim de um mito?”, não é. Continuo completando a mim mesmo, continuo bastando a mim mesmo e sem essa de precisar de alguém pra me “completar”. Mas você percebe que começa a ficar de saco cheio dessas vibes loucas quando a garota te manda WhatsApp dizendo que está só em casa e te chamando pra ir pra lá, e você já sabe o resultado da história, mas o convite soa tão desinteressante e você é acometido por preguiça até mesmo de ir foder, e olha que ela é muito gostosa e gata.

Quando você chega naquele ponto de que você liga o foda-se e não tá praticamente nem ai pro fato de ter quem comer ou não, você começa a se tocar de que sexo se tornou algo banal. Algumas pessoas que estão lendo estas linhas devem estar pensando: “esse cara tá virando fresco” ou “tá muito bossa essa porra, jogando na cara da galera que tem buça pra dispensar”, mas não tem absolutamente nada a ver com isso meus caros. O meu objetivo aqui é dizer que existem momentos na vida em que você precisa se reinventar a ponto de que passou muito tempo lá fora, precisando voltar para “casa” e passar um tempo colocando ordem em tudo.

Pra garotada que é ao melhor estilo machinho isso tudo está parecendo uma bela viadagem, mas foda-se, não existe nada mais “suspeito” do que sentir a necessidade de afirmar heterossexualidade para o mundo. De repente me vejo fazendo uma série de perguntas, como se esse não seria o momento de me aquietar um tempo ou quem sabe será a crise dos 30 chegando já que em janeiro faço 29?

Enquanto escrevo essas linhas acabo concluindo que o mundo tem tantas garotas diferentes e interessantes que no final das contas não faz diferença nenhuma já que você pode ter várias delas ao alcance dos teus dedos em um aplicativo de ariscamento qualquer. Quando eu era adolescente dávamos muito valor a sexo e este era um evento em nossas vidas, já que acontecia uma vez ou outra e cada vez era como se fosse única. Em tempos em que sexo está banalizado você se pergunta até quando foder tão somente será o suficiente? Não estou falando de romantismo ou de coisas do coração, muito pelo contrário pois o assunto aqui é tão somente sexo, prazer físico, a sinergia da carne.

Neste instante acabo de perceber que em algo tão interessante quanto sexo, a efervescência não está na disponibilidade, mas na qualidade e nas experiências que vem junto com isso. Talvez seja isso, talvez eu tenha me perdido pelo meio do caminho em divertidos fragmentos femininos que foram incríveis, mas como tudo nessa vida passa, todo homem sempre muda e nessa vida temos fases, quem sabe beirando os 30 seja  o momento de me reinventar e descobrir o que vem além quanto a relação que tenho sobre mulheres e sexo.

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Curioso procrastinar sobre isso aqui, visto que poucas vezes falei sobre mim mesmo, mas acho isso importante afinal de contas é certo que algumas pessoas que estão lendo essas leves linhas de desabafo certamente estão nelas se encontrando ou um dia terão a mesma reflexão. Que estranho, mas é isso ai meus caros, ninguém é de ferro e espero que o fim da tarde continue me vindo com os raios de sol banhando o céu com o mesmo tom de luz antiga, mas agora com um brilho, histórias e perspectivas diferentes. Vejam só vocês o que essas garotas fazem com a gente.

Acauã Pyatã

Na maior parte do tempo: publicitário e blogueiro, nas raras horas vagas um tremendo vadio de skate e desocupado no Insta. Insurgente, divergente e procrastinador. O tipinho de cara que escolheu morrer de pé ao ter que (sobre)viver de joelhos, alguém que escolheu ser a navalha ao invés da carne, um homem que absolutamente não é obrigado a nada, entendeu? N-A-D-A. Um maldito índio moderno em uma arcaica selva de pedra que um dia haverá de cair. Mas não agora, não mesmo.

Fale com ele pelo e-mail: diego@derepente.blog.br