Esse final de semana, conversando com uma garota extremamente lasciva (risos), saímos dos assuntos relacionados a contos eróticos para tratar da realidade que envolve a vida de pessoas que gostam de sexo e falam abertamente sobre isso, sem pudor algum. Ela tentou me mandar mensagem pelo WhatsApp mas não estava chegando, então ela printou e mandou pelo FaceChat mesmo. Segue abaixo a parte do assunto que nos interessa aqui:

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Todos nós temos amigos e amigas que são aquele tipo típico de pessoa que é desbocado(a) pra falar sobre sexo, que é gente dada e que não te frescura, quando quer falar sobre fala, quando quer dar ou comer alguém deixa claro e sexo nunca soa tão natural como quando na boca dessas pessoas. Existem pessoas que são desta maneira e se dão bem consigo mesmas, porém depois de um tempo certas coisas começam a pesar, especialmente quando começamos a pagar o preço pela nossa ousadia.

Compartilho do que a moça ai de cima expõe, com a diferença de que pelo menos por enquanto, eu to ligando o foda-se para a opinião dos outros, além do que é de fato mais fácil para mim que sou homem em virtude da realidade sociocultural em que estamos inseridos.

Por escrever em um blog e dividir o espaço com outras pessoas que se propõe a compartilhar a sua visão liberta sobre sexualidade, mesmo que muitas vezes sobre a proteção de pseudônimos e do sigilo que garanto aqui, as pessoas acabam construindo uma ideia turva sobre gente lasciva, que gostam de sexo e falam sobre com naturalidade afinal de contas para nós, sexo é um assunto literalmente cotidiano e extremamente popular, algo para ser vivido com leveza.

Durante a conversa com esta moça, ela expôs algumas situações nada agradáveis em virtude de seus modos e ideias, relatando que um dos namorados que ela teve simplesmente não confiava nela. Sempre ouço comentários de garotas sobre mim com muito bom humor claro, coisas do tipo: “Diego tu é um cara tão legal, do tipo que a gente gosta de ter na cama, mas quando o assunto é paixão não é bom te ter na vida” ou então “o tipo de cara pra umas boas noites somente”. Como o botão do foda-se é serventia da casa eu sempre levo tudo com muito bom humor e leveza, e ainda brinco dizendo que sou homem boêmio, de paixões que começam no primeiro gole e terminam com a ressaca e que não sou o tipo de homem que as mulheres querem, mas algumas vezes sou o tipo que elas precisam, especialmente naquelas “noites frias de chuva e solidão”. Essa ideia em torno de mim se cria pelo de fato de minha pessoa ser extremamente desprendida de questões emocionais e dificilmente me apaixono ou envolvo com alguém mais do que o necessário, pois quando isso acontece é foda. Eu não sei ser morno nas coisas, ou o barato é intenso ou não é. Mas esse é outro papo.

Não sou desligado por ser lascivo, sou por esta ser a minha personalidade. Sempre ouço comentários de amigos quanto a garotas que gostam de foder e não tem pudor algum em esconder isso, em dar pro cara no primeiro encontro, em falar e viver a sexualidade de maneira intensa e geralmente são coisas do tipo: “ei ela é putona”, “é uma safada”, “cara ela fode pra caralho e gosta de pica, vai la e come só não vai te apaixonar…”.

Tenho uma amiga que embora não seja feminista me fez atendar para algo que por muito tempo me passou desapercebido como homem: se você quer agredir moralmente um homem, você questiona ele quanto ao caráter, a confiabilidade do que ele diz e faz e etc… Mas se você quer desmoralizar uma mulher, basta falar algo que a deprecie sexualmente.

É muito curioso como todo homem gosta de ter uma mulher que seja uma vagabunda, uma cachorra, uma puta na cama, que saiba foder pra caralho, que chupe a rola dele, que se deixe ser chupada, que dê o cu, que diga “vai caralho me come porra, come esse meu rabo gostoso”, mas de maneira irônica do destino, acabam procurando para relações fixas as que são ao menos em aparência, alinhadas a moral e bons costumes.

É por esse motivo que existe essa dissonância cognitiva em algumas pessoas lascivas, de não se aceitar ou acreditar que a maneira como se é, mais prejudica do que na verdade liberta, afinal de contas você deve escolher entre ser livre mas se ver refém do julgamento dos outros ou se conter e reprimir-se, para que possa ser “socialmente” mais aceito(a).

Se você passa por isso, saiba que você não é um problema afinal de contas não tem culpa se a sociedade não está preparada para pessoas que vivem e pensam em outra frequência. Pessoas que gostam de sexo também se apaixonam, pessoas lascivas também sentem necessidade de estar em um relacionamento fixo e fechado. O fato de gostar de sexo não significa que para a gente, a vida seja uma grande suruba onde todo mundo come todo mundo. É fato que algumas pessoas escolhem viver em um eterno bacanal e abraçam a vida de solteiro e todas as suas vantagens de um apego que é sem limites, mas também tem aqueles(as) que gostam da segurança de uma relação com alguém para dividir a vida.

Sexo é um assunto popular, para alguns é algo natural e para outros não. Sempre fui a favor de que certos temas nessa vida devem ser debatidos de maneira clara e aberta, sendo sexualidade um destes. Este é um preço que aqueles(as) que não tem medo de expor a forma como pensam e se sentem sobre o assunto acabam pagando.

Ainda bem que lascivo com lascivo se entende e que mesmo com a desvantagem covarde que enfrentamos contra a moral e bons costumes, sempre iremos esbarrar com pessoas que embora não sejam lascivas como somos, acabaram entendendo as vantagens que existem nisso e que o fato de gostar de fazer e falar sobre sexo, não nos torna pessoas nas quais não se possa confiar nem tão pouco o tipo de gente que você não apresentaria para os seus pais.

Conheço gente que faz a capa de crente de igreja, mas que sai por ai comendo a mulher dos outros ou dando pra todo mundo que chega junto, conheço gente lasciva que também já rodou muito pelas camas da vida, mas que encontrou a paixão entre os braços (ou as pernas) de alguém e vive muito feliz.

Amiguinha não adianta você querer fugir daquilo que você é. É certo que muitas vezes nós temos que mudar, mas as vezes o que tem que mudar são as pessoas. Não se sinta constrangida por ser e pensar da maneira como hoje, pois eu te garanto que embora mal compreendida, possivelmente você está em outro nível e tudo aquilo que as pessoas não entendem acaba causando rejeição. Eu nem me estresso, se eu me interesso por alguém e a pessoa pensa que sou promíscuo por causa desse blog, que se foda afinal de contas não me sinto perdendo nada. Mais cedo ou mais tarde as coisas acontecem e como diz o filme do Woody: No final, tudo pode dar certo.

Acauã Pyatã
Na maior parte do tempo: publicitário e blogueiro, nas raras horas vagas um tremendo vadio de skate e desocupado no Insta. Insurgente, divergente e procrastinador. O tipinho de cara que escolheu morrer de pé ao ter que (sobre)viver de joelhos, alguém que escolheu ser a navalha ao invés da carne, um homem que absolutamente não é obrigado a nada, entendeu? N-A-D-A. Um maldito índio moderno em uma arcaica selva de pedra que um dia haverá de cair. Mas não agora, não mesmo. Fale com ele pelo e-mail: diego@derepente.blog.br