Eu não sou obrigado a nada,
Não sou obrigado a namorar e me casar,
A ter filhos e constituir família,
Simplesmente por ser isso que a religião diz.
Não sou obrigado a aceitar a religião.

Não sou obrigado a nada,
Não sou obrigado a viver para trabalhar,
Quando o que preciso é trabalhar para viver,
Não sou obrigado a abandonar a vadiagem,
Não sou obrigado a agir como todos.

Não sou obrigado a nada,
Não sou obrigado a me interessar por algumas garotas,
Simplesmente por elas serem bonitas e gostosas.
Já viu o que tem de mulher bonita e gostosa no mundo?
Eu não sou obrigado a arrastar o cu por ninguém.
Todo mundo envelhece e perde a beleza um dia.

Eu não sou obrigado a nada,
Não sou obrigado a sair por ai de pau duro,
Somente por ser homem e heterossexual,
Não sou obrigado a querer trepar toda hora,
Nem a ter que comer quem não me interessa,
Não sou obrigado a provar que sou macho e viril.

Não sou obrigado a nada,
Não sou obrigado a gastar o meu dinheiro com coisas úteis,
Se depender de mim inclusive,
Gasto tudo em cachaça e puta.
Não sou obrigado a ser da moral e bons costumes.

Não sou obrigado a nada,
Não sou obrigado a deixar de fazer o que faço,
Simplesmente por não ter mais idade para isso,
Não serei assim que nem você que dá conta da vida dos outros,
Não sou obrigado a matar a minha alma juvenil,
Meu coração de adolescente.

Não sou obrigado a nada,
Não sou obrigado a falar coisas bonitas para agradar,
Não sou obrigado a ser carne quando posso ser a navalha,
A ser mentiras suaves quando posso ser de verdade dura.
Não sou obrigado a ser o que você quer,
Quando posso ser aquilo do que você precisa.

Não sou obrigado a nada,
Não sou obrigado a não expor aquilo que penso,
Ser reservado quanto as minhas ideias e quem sou,
Não sou obrigado a ser comedido e cauteloso quando sou intenso,
Não sou obrigado a ser da moral e bons costumes.

Não sou obrigado a nada,
Não sou obrigado a me perder nos teus olhos castanhos,
A entrelaçar os dedos nos teus cachos,
Nem a desejar o perfume e o calor da tua pele,
Na verdade nem sei o motivo pelo qual eu o faço.
Também não sou obrigado a saber ou entender.

Eu não sou obrigado a nada entendeu? Nada!
Nem pela sociedade e nem pela religião,
E muito menos por aquilo que mais venero: você.

Acauã Pyatã
Na maior parte do tempo: publicitário e blogueiro, nas raras horas vagas um tremendo vadio de skate e desocupado no Insta. Insurgente, divergente e procrastinador. O tipinho de cara que escolheu morrer de pé ao ter que (sobre)viver de joelhos, alguém que escolheu ser a navalha ao invés da carne, um homem que absolutamente não é obrigado a nada, entendeu? N-A-D-A. Um maldito índio moderno em uma arcaica selva de pedra que um dia haverá de cair. Mas não agora, não mesmo. Fale com ele pelo e-mail: diego@derepente.blog.br