Meus amigos(as) quando estão apaixonados e sofrendo em virtude disso tendem a agir de maneiras estranhas. Desta vez, mais de uma hora da manhã, depois de ler uma verdadeira odisseia amorosa de uma figura em forma de desabafo, me pediram para escrever sobre dois temas os quais irei tratar de maneira separada, ambos assuntos que conheço bem: saudade e solidão. Entendo de saudade por ser nostálgico e de solidão por gostar de andar sozinho e me aproximar de poucas pessoas, até mesmo por ter tido sintonia verdadeira com muitas poucas nesta vida. Vamos começar com saudade, inspirado na história que acabaram de dividir comigo:

Saudade é um sentimento que tem somente na língua portuguesa uma palavra dedicada para representação, é o reconhecimento de algo que marca e que nunca ficará completamente no passado. Saudade é o que acontece quando a alma guarda o que a mente e o tempo tentaram esquecer. Saudade é a sensação de que as coisas que já chegaram ao fim poderiam ter durado mais, das coisas que terminaram de maneira gradativa ou súbita quando não deveriam ter terminado ou quem sabe, daquilo que aparentemente terminou mas ainda está longe do fim.

Saudade é o que acontece quando o vento da madrugada te traz a lembrança de coisas ou pessoas que te fizeram ou fazem feliz, daquilo que te falta, daquilo que te completa, daquilo que você necessita. A saudade é a manifestação de trazer para junto de si algo ou alguém que está distante no espaço ou no tempo: quando a distancia é grande, quando o abismo é profundo, quando está tudo escuro, quando não existe mais o que ser dito, quando as palavras não são mais suficientes, quando os dedos já não se alcançam e os olhos já não se cruzam. No final das contas a saudade é a lembrança e certeza daquilo que foi, é ou será ainda um bom e incrível pedaço da vida, digno de se recordar não como uma mera lembrança, mas de reviver sempre que a alma pedir.

Com base na experiência que ouvi, estou certo de que saudade é isto.

Acauã Pyatã
Na maior parte do tempo: publicitário e blogueiro, nas raras horas vagas um tremendo vadio de skate e desocupado no Insta. Insurgente, divergente e procrastinador. O tipinho de cara que escolheu morrer de pé ao ter que (sobre)viver de joelhos, alguém que escolheu ser a navalha ao invés da carne, um homem que absolutamente não é obrigado a nada, entendeu? N-A-D-A. Um maldito índio moderno em uma arcaica selva de pedra que um dia haverá de cair. Mas não agora, não mesmo. Fale com ele pelo e-mail: diego@derepente.blog.br