Mais uma vez estamos nesse quarto ao meio tom
Que lembra um final de tarde marcado pela luz antiga
A luz do poste entra pela janela
Marcando o teu corpo atirado naquela parede
Com os carros jogando efeitos e faixas de luz
Confundindo a minha mente
Como se tudo estivesse em flash back.

Te contemplo me olhando convidativa
Com os olhos castanhos marcados pelo brilho
Encobertos por mistério que vão longe
Potencializado pelos caracóis de deus cabelos.

Te olho como um menino bobo
Com os olhos dançando ao movimento de tuas curvas
Que me confundem, me seduzem, me fazem me perder
O aroma e fumaça da marijuana que dividimos agora pouco
Dá um tom de dramaticidade e leveza
Ao que existe entre nós e não cabe neste quarto
Quem sabe nestes versos
Te vejo convidativa e sinto a efervescência do teu corpo
Que chama o meu a estar junto ao teu.

Me sinto seduzido e nervoso
Com a timidez e intensidade de como se fosse a primeira vez
Mas com a mesma paixão de como quando senti que era a última.

Afrouxo a gravata e abro o colarinho
Da camisa que já tem a marca do teu batom azul
Que em teus lábios me tornou a cor mais quente.

Avanço sobre a tua pele morena para sentir tuas unhas
Teus dedos entre os pelos da minha barba rustica por fazer
Enquanto nossos corpos, lábios e línguas dançam
Sinto aquele velho desejo do qual mal me recordava
Silenciado por madrugadas sem consolo.

Passeio os lábios do teu ombro ao pescoço
Sinto a sinergia do teu corpo colado ao meu
Com dedos, mãos e braços entrelaçados

Abro meus olhos e vejo no teto a luz dos carros
Marcando em cadência disrítmica
Viro de lado e me cubro sentindo uma leve gotas de suor
Em mais uma madrugada que te tive
Apenas de um breve devaneio em flash back.

Acauã Pyatã
Na maior parte do tempo: publicitário e blogueiro, nas raras horas vagas um tremendo vadio de skate e desocupado no Insta. Insurgente, divergente e procrastinador. O tipinho de cara que escolheu morrer de pé ao ter que (sobre)viver de joelhos, alguém que escolheu ser a navalha ao invés da carne, um homem que absolutamente não é obrigado a nada, entendeu? N-A-D-A. Um maldito índio moderno em uma arcaica selva de pedra que um dia haverá de cair. Mas não agora, não mesmo. Fale com ele pelo e-mail: diego@derepente.blog.br