Seco a vida me deixou tão seco
Neste carnaval quem sabe e tal
Entre o bem e o mal
Me vi no sopro do vento
Do Silêncio

A casa vazia e panos úmidos
A torneira pingando
Pessoas no porta chamando
Eu ignorando

Olhei pelo balanço do quintal
Tudo que existia de normal
O tempo, o vento, a chuva e o relento
Lembrei quão bom é a ausência do som

Dias repletos por mim mesmo
De casa vazia e também da lida
Da ausência dos passos e de todos os traços

Senti a solidão e lembrei teu nome
Recebi visitas inesperadas e senti teu corpo
De repente vi a cama vazia
A Parede tremia e a cozinha também
Devaneio de um bêbado que ainda ama o absurdo

Senti meus dedos deslizado pelo teu corpo
Mas não queria estar assim
Pois senti estar em ti
Teus dedos entre os meus e corpo no corpo
Dedos entrelaçados, beijos, bocas e apertos.

Lembro de quando me disse não com os lábios
Enquanto dizia sim com o abraço
Senti o fato, quis teus abraços, desejei teus lábios.

Agora é cinza, já quase nem tenho mais rima
Por mais que insista, mesmo na minha
Quem sabe resista, me pus na lista

Quem sabe um dia e por fortuna
Sem fazer luta te tenha de novo pra mim
Pois como assim, senti que esteves em mim
Também me dei pra ti.

Pela lua e o vento
Aqui estou eu ao relento
Lendo e vendo
Por mais que eu goste tanto de ti.

Acauã Pyatã

Na maior parte do tempo: publicitário e blogueiro, nas raras horas vagas um tremendo vadio de skate e desocupado no Insta. Insurgente, divergente e procrastinador. O tipinho de cara que escolheu morrer de pé ao ter que (sobre)viver de joelhos, alguém que escolheu ser a navalha ao invés da carne, um homem que absolutamente não é obrigado a nada, entendeu? N-A-D-A. Um maldito índio moderno em uma arcaica selva de pedra que um dia haverá de cair. Mas não agora, não mesmo.

Fale com ele pelo e-mail: diego@derepente.blog.br