É isso ai, depois de vários dias fora do ar estamos de volta, pois a moral e bons costumes, a tradicional família brasileira e aqueles que veem na opressão de ideas, pensamentos e sentimentos o caminho para moldar o mundo da sua forma jamais vencerão.

De todo modo, estou retomando as atividades do blog, começando com demandas que estavam há tempos paradas. Esse print tem mais de três semanas e tive tempo para refletir bastante sobre. Leia bem atento(a):

relato

Esta querida leitora está falando de duas questões muito importantes e que pra muitas pessoas são confusas: relacionamento aberto e paixão/amor que liberta. São duas coisas que possuem alguma relação mas são diferentes. Vamos tratar rapidamente sobre ambas.

Relacionamento aberto

No texto “O que é de fato um relacionamento sério” abordei o tema. Mas de maneira rápida um relacionamento aberto é uma relação em que o casal concorda de livre e espontânea vontade que ambos ou um dos dois possa se relacionar com outras pessoas. Toda relação aberta tem regras do tipo: só um dos dois pode ou os dois podem, pode rolar relações por fora sem que o outro não veja ou saiba, por fora só sexo e/ou ficas mas nada de namoros/casamentos paralelos, relações com terceiros só com a presença de ambos (ménage, swing ou voyeur) e etc… Vai do acordo e do que ambas as partes conseguem tolerar, tem muitas regras. Deve ser por este motivo que causa muita confusão e a maioria das pessoas evita (inclusive eu) por envolver um alto nível de maturidade e controle para conseguir tocar esse tipo de relação por parte de ambos.

Não minha cara, você não é uma louca, você apenas está descobrindo uma forma de relação que te deixa feliz e que satisfaz as tuas necessidades emocionais e sexuais, assim como o seu parceiro. Não existe nada de estranho com você, estranho na verdade é o mundo.

Paixão/amor que liberta

Aqui é que está o forninho de Giovana. Em dias como os nossos, onde a questão do sentimento de posse, do amor romântico e a necessidade de ter alguém que te “complete”, assim como o conceito de solidão tem se tornado muito questionado, as pessoas que defendem o romance ao melhor estilo Disney e Romeu e Julieta piram.

Gostar de alguém de verdade não tem nada a ver com questões próprias, mas questões sobre a outra pessoa. Se você gosta, geralmente o que te importa é que a pessoa esteja feliz, seja com você ou não, nem em qual condição. Quem gosta de verdade liberta e se liberta deixando a outra parte livre para que se decida ficar contigo, que fique. Assim como se a pessoa desejar ir, que vá. Tudo por livre e espontânea vontade. Nesse tipo de relação a única coisa que importa é que se for para que fiquem juntos, que seja por livre e consciente escolha, caso não seja por qualquer motivo, saber que a outra parte tomou um rumo que traga felicidade, já é suficiente para que isso também te faça feliz.

O importante neste tipo de cenário é que você acaba experimentando uma sensação de liberdade e paixão plena. Se você gosta de alguém de verdade e pra valer, e tivesse todo o poder de escolha ou mecanismos para garantir  que a pessoa fique com você, você se valeria deles mesmo sabendo que a outra parte não estaria feliz? Nesse tipo de experiência fazer feliz é ser feliz, sem esperar ser correspondido(a), reconhecido(a) ou receber algo em troca. Você simplesmente de dá.

Tá Diego, e como eu consigo ter algo assim por alguém? Bom, não é algo que você decida e pronto. É algo que acontece e exige um conflito muito grande com tudo aquilo que aprendemos sobre relacionamento. Simplesmente pode acontecer ou não. Bom quando acontece e é mutuo, pois é o tipo de relacionamento que vale muito a pena tocar em frente.

Para finalizar e respondendo a cara leitora: você não é uma louca, louco é o mundo que tenta “encaixotar” ideias e a forma de perceber o mundo. Você está simplesmente experimentando e descobrindo algo que está além dos olhos (e logo da compreensão) da maioria das pessoas, pelo menos por enquanto. Então se sinta feliz, pois isso ai que você tem é raro.

Acauã Pyatã
Na maior parte do tempo: publicitário e blogueiro, nas raras horas vagas um tremendo vadio de skate e desocupado no Insta. Insurgente, divergente e procrastinador. O tipinho de cara que escolheu morrer de pé ao ter que (sobre)viver de joelhos, alguém que escolheu ser a navalha ao invés da carne, um homem que absolutamente não é obrigado a nada, entendeu? N-A-D-A. Um maldito índio moderno em uma arcaica selva de pedra que um dia haverá de cair. Mas não agora, não mesmo. Fale com ele pelo e-mail: diego@derepente.blog.br